Sobre o Adultear

Sem dúvida um dos maiores desafios da vida é se preparar para a vida adulta. Tenho certeza que você também passou por tempos turbulentos durante a fase dos 18 aos 20 anos de idade, quando a escola estava para se acabar e as escolhas da vida adulta começaram a aparecer na sua frente, demandando ação direta: qual vestibular vai prestar? Qual faculdade você vai? Quando vai tirar a carteira de motorista? Qual carreira vai seguir no emprego?

Até então a sua vida era sempre o mesmo esquema: ir à escola, fazer o dever de casa, passar nas provas e talvez fazer os cursos extracurriculares à tarde. Todas as demais decisões eram gerenciadas por outras pessoas na sua vida, como pais, professores e diretores de escola. De repente, quando os 18 anos chegaram, você se tornou o único responsável, o piloto da sua própria vida. E você deve assumir o controle rápido porque as decisões estão só aumentando.

Entre mortos e feridos, todos nós sobrevivemos este período conturbado. Embora alguns olhem para este período com arrependimento, temos que nos lembrar que foram estas mesmas escolhas que trouxeram todas as nossas vitórias até agora. Elas são um motivo para nos orgulharmos. Porém, há de se dizer que poderia ter sido melhor. A falta de disseminação de conhecimento financeiro é um grande cúlprito entre a desinformação generalizada do período.

Nós podemos fazer da fase de “adultear” uma fase melhor para as próximas gerações, e neste post explico como isso pode ser possível se focarmos em ensinar conceitos mais práticos e sólidos. Talvez algumas das opiniões aqui soem um pouco controversas ou extremas, mas o importante é considerá-las – não necessariamente seguí-las. Se você possui filhos, este post pode lhe ajudar na hora de ver os ensinamentos que os passará quando a época chegar.

O turbilhão do ponto da virada

No sistema atual, existe uma brusca mudança que acontece quando completamos os 18 anos de idade. Não só nos tornamos legalizados para fazer tudo aquilo que na adolescência eram tabus como beber e dirigir, mas também acabamos tendo todas as responsabilidades da vida jogadas sobre nós.

Pense no tamanho da mudança que isso acarreta na mente de um recém-graduado da adolescência.

Até então, você está num ambiente onde tudo é decidido para você por algum terceiro – seus pais, professores, etc – e onde você deve simplesmente seguir ordens. Assista a aula. Faça o dever de casa. Estude. Passe na prova. Não faça uma besteira durante suas férias. Não só você não precisa decidir nada no caminho, você também não tem autoridade para decidir. E, de repente, esta bolha estoura: bem-vindo ao mundo dos adultos!

Você assume o controle total pela primeira vez na vida, e possui agora total responsabilidade pelos seus atos. Este conceito é extremamente libertador – e, de fato, é o primeiro passo para você melhorar a sua vida – mas para uma pessoa despreparada pode ser um acidente simplesmente esperando acontecer. A má notícia é que você foi acabou de ser jogado dentro deste círculo de fogo – e você tem pouco tempo para se preparar.

As primeiras decisões geralmente são relacionadas à educação (qual área cursar, qual faculdade fazer), mas dependendo da sua situação familia, essas podem variar bastante. Onde você vai morar? A questão da casa própria ainda é muito difundida, sem considerações quanto ao real custo do passivo. Como vai bancar a sua educação? Esta pergunta assume que faculdade é necessária, e que o trabalho deve sustentar o ensino, e não a sua própria vida. E muitas outras.

Para piorar, o tempo está jogando contra você. A pressão alheia lhe faz acreditar que a cada dia que você adia uma escolha, como qual faculdade cursar, você está perdendo oportunidade, deixando a competição tomar a liderança e diminuindo as suas chances de sobrevivência. Esta pressão joga contra a sua capacidade de tomar uma decisão consciente por conta do medo, que ofusca a sua capacidade de pensar consciente. Como tomar a melhor decisão sob estas circunstâncias?

O poder da flexibilidade

Não existe uma única resposta que pode tratar esta fase turbulenta, mas acredito que um dos conceitos mais importantes é flexibilidade.

É apenas através da flexibilidade que podemos tomar coragem para marchar com 100% de confidência para um objetivo, e conseguir se replanejar e se reconstruir no evento de algum erro ou falha. É através da flexibilidade que parar e averiguar as nossas ações e seus efeitos, e decidir o que fazer em seguida em tempo para acertar no próximo ciclo.

Flexibilidade é o ingrediente que nos permite pensar com agilidade, e não velocidade, e que nos torna adaptável a um mundo com muitas mudanças concorrentes. Assim, como podemos aplicá-la durante esta fase do turbilhão de adultear?

Primeiramente, precisamos aceitar que aos 18 anos de idade simplesmente não temos qualquer condição de tomar decisões perfeitas. Simplesmente não temos conhecimento, experiência e sabedoria suficiente para acertar 100% das vezes. De fato, não teremos estas condições aos 30, 40 e nem aos 60 anos de idade – independente do quanto mais as pessoas mais velhas parecem saber. O que acontece é que ao envelhecermos nos tornamos maduros o suficiente para compreender que nossas decisões eram as melhores que poderíamos ter tomado em determinada situação. Cobrança por mais maturidade é difícil quando nem na vida adulta a maioria consegue ter esta responsabilidade.

Se nunca teremos este tipo de capacidade para tomar decisões perfeitas, como podemos prosseguir? Com flexibilidade e um mindset de crescimento. Após admitir que provavelmente não acertaremos de primeira ou nem de segunda, passamos a utilizar as falhas e erros como uma plataforma, uma fonte de aprendizado para tudo na vida.

Ao invés de demonizar os erros, como acontece na escola ou como gostamos de acreditar que acontece na vida, adotamos a idéia que são exatamente eles que nos trazem a importante experiência que precisamos para tomar decisões melhores no futuro. Aceitamos que não teremos sempre a resposta correta e por isso, temos sempre a oportunidade para crescer. Esta é a essência do growth mindset, e o conceito que leva os bem-sucedidos para frente.

Quando aceitamos estes dois passos de flexibilidade e crescimento no caminho do nosso crescimento pessoal, nos tornamos mais resilientes para aceitar as dificuldades e incertezas da vida adulta. Estas são algumas das ações que os jovens podem começar a tomar desde cedo para se preparar. Mas e a sociedade como um todo, incluindo os pais? O que podemos fazer para orientar melhor a população jovem nesta transição?

Repensando a educação e a preparação para a vida adulta

Várias críticas já foram feita em diversos artigos quanto ao sistema de educação moderno e como ele não atende às necessidades do mundo contemporâneo. Mas a verdade é que não é só para a escola ou o “sistema” que devemos apontar os dedos, mas também para nós mesmos como parte maior da sociedade.

Como uma sociedade, temos uma influência sobre as as pessoas no nosso redor maior do que percebemos por conta de nossas crenças. Parte folclore, parte cultura, e parte hábito, nossas crenças são a maior razão pela idéias nocivas sobre o dinheiro conseguem sobreviver. E não praticamos isso por má fé; literalmente são os valores aos quais somos expostos desde o começo da vida. Assim, o dever de desenvolver a cultura financeira é parte de todos.

Em relação à cultura dos meus filhos, eu desde cedo na infância já os acostumaria com bons hábitos de poupança e economia. Iniciá-los na idéia que o dinheiro vivo é volátil e se acaba ajudará a contê-los no consumismo, e também instigará-los a encontrar outras maneiras de ganhar mais dinheiro. Depois, quando começarem a entender conceitos mais avançados, iria iniciá-los no conceito de investimentos, e qual a importância de obter um fluxo de caixa passivo como fonte de sobrevivência.

Em paralelo, iria instigar neles o conceito de flexibilidade, e como a habilidade mais importante é ter resiliência e aperfeiçoar com cada lição aprendida e erro. Isso também incluiria a oportunidade para não fazer faculdade; num mundo com cada vez mais oportunidade para autoditadas e pessoas que trabalham como autônomos, se este for o caminho que eles quiserem seguir, lhes daria total autonomia, conscientizando-os que qualquer erro e falha que sofressem seriam oportunidade para que crescessem mais e melhorassem até chegar ao sucesso.

Finalmente, lhes ensinaria que o tempo, mesmo sendo um recurso finito, aos 18 anos ainda é mais abundante do que achamos. Tentar empreender aos 20 anos de idade e falhar aos 22 ainda significaria ter muito tempo para aplicar as lições aprendidas e tentar novamente. Mesmo se a falha fosse aos 30 anos, ainda haveria muito tempo para tentar. Pense só na história de David Sanders, que começou depois dos 60 anos de idade.

Talvez não seria o método perfeito de criar um filho, nem o método mais popular, mas seria uma forma de garantir que, pelo menos no âmbito de crenças, eles não estariam influenciados por idéias e conceitos limitantes do crescimento pessoal. Para mim, se apenas esta única idéia fosse adotada pela sociedade em geral, teríamos uma situação financeira muito melhor como país.


Quais são as lições mais importantes que você tirou durante o seu período de adultear? Quais lições deixaria para as outras gerações quando passarem por este mesmo período turbulento? Escreva nos comentários.

Atenciosamente,

Pinguim Investidor


Photo by Suzanne D. Williams on Unsplash

Um comentário sobre “Sobre o Adultear

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