Como a Independência Financeira é possível para todos

Certa vez, estava na casa de um parente em Copacabana passando uma temporada quando seu ventilador de teto pifou de vez e parou de funcionar. Durante o verão carioca, isto pode ser afetar a sua sobrevivência num dia. Averiguando a situação, descobrimos que a infraestrutura precária e velha do prédio oferecia uma fiação precária e malfeita, e que dificultava muito a manutenção por uma pessoa leiga.

Procuramos por um eletricista que imediatamente se disponibilizou (era uma pessoa que já atendia a região) e veio averiguar o dano. Com sua experiência em atender a região, ele possuia experiência navegando a bagunça da fiação e conseguiu atender o pedido numa questão de no máximo dez minutos. Ventilador trocado e instalado, ele estendeu a mão para o pagamento: oitenta reais pelo trabalho.

No fim deste incidente, comecei a pensar comigo mesmo: como o cara consegue cobrar R$80 por um trabalho que ele mal leva dez minutos pra fazer? E enquanto eu ficava pensando sobre como ele era esperto e realmente conseguiu achar um nicho em meio às instalações malfeitas do bairro velho, outro insight me bateu: esta pessoa era a prova que qualquer um, com a devida educação financeira consegue atingir a independência financeira.

Sim, aquele faz-tudo da vizinhança que às vezes nem possuia treinamento formal como eletricista já possui um modelo operacional já poderia, com uma pitada de educação financeira, ser suficiente para garantir a sua vida futura como aposentado. E se até com estes recursos básicos é possível chegar ao FIRE, a sua situação pessoal também te torna capaz. Vejamos como neste post.

A matemática não mente

Para desmascarar ou provar qualquer mito ao redor desta questão da possibilidade da aposentadoria precoce, vamos realizar alguns cálculos para explorar a situação por completo. E por conta da simplicidade, vou fazer os cálculos bem generalizados.

Como vi em primeira mão este eletricista cobra R$80 por um trabalho que em média leva ele 10 a 15 minutos para completar. Digamos que ele consiga em média uns dez clientes por semana com ventiladores quebrados. Isso lhe daria uma renda mensal de R$3200.

Digamos que seus custos de vida mensais totalizem R$1400. Lhe sobrariam R$1800 para economizar ou investir. Consideremos que ele não tenha nenhuma dívida para pagar, e assim já consegue entrar de vez no passo de investir. Se ele optar por investir 100% em FIIs, ele passará a receber uma renda passiva média de R$13,14 ao mês usando rendimentos médios de 0.73%.

Parece pouco? Razão para desistir, talvez? Pois aqui começa a mágica da disciplina aplicada.
Aportando regularmente esta quantia, nosso amigo eletricista estará recebendo ao fim de um ano uma renda passiva de R$157,68. Levando isso durante cinco anos, esta renda passiva subiria para R$788,40 todo mês. Assim, nosso amigo levaria 8 anos para alcançar a condição de independência financeira, onde todos os seus custos de vida serão cobertos independente do seu trabalho. Isso sem considerar o reinvestimento dos dividendos.

Compare esta situação com a pessoa que trabalha de 30 a 40 anos da vida apenas para conseguir se aposentar por via do INSS. Vale a pena investir tanto tempo desta forma?

Esforços coordenados o levarão à frente

Menos importam os números utilizados neste cálculo do que o fato que nosso amigo eletricista precisou de uma rotina e disciplina constante com seus aportes e investimentos para chegar na posição final da independência financeira. Lembremo-nos do bom e velho triângulo de acumulação patrimonial, que nos ensina que a riqueza é o produto de três processos financeiros: receita, economia e investimentos:

O tempo necessário varia com o poder de aporte e rentabilidade, e aqui muitos se iludem achando que se apenas conseguirem escolher o “investimento da vez” irão enriquecer sem limite. Se há algum único fator que permite pirâmides financeiras a proliferarem, este com certeza é um deles. Porém, se o esforço e o dinheiro forem investidos no fator certo – leia: disciplina no aporte e um bom trabalho – a riqueza se torna uma certeza matemática.

Mesmo que aportando R$300 ou até mesmo R$100 ao mês, a importância é que todo este esforço se acumula, e é melhor do que não investir nada no mês. Se você pensar bem, é melhor do que ter fechado o mês em dívida, ou ter gasto a sobra com passivos e hábitos que não lhe agregam valor. Quando temos este mindset, e sabemos resistir durante os tempos difíceis, somos recompensados com a dádiva da liberdade ao longo prazo.

Inclusive a situação descrita do eletricista acima é uma estimativa muito por baixo. Não consideramos, por exemplo, que ele poderia pensar em expandir seus negócios através dos empreendimentos, e falamos apenas de FIIs ao invés de ações mais voláteis que podem produzir um valor moir. E nem que poderia também ter reinvestido os dividendos recebidos mensalmente (provavelmente a maior vantagem de se ter um modelo cash cow). Considerando estas possibilidades e um pouco de otimismo, a trajetória até a independência financeira se torna uma certeza.

Neste ponto, vem outra pergunta: se o tempo necessário para atingir a IF é inversamente proporcional à sua receita total, e se você investisse em você mesmo para ter um emprego que pague melhor? Infelizmente aqui a relação não é tão linear – e em determinadas situações, pode até ser pior.

Qual é o custo do canudo?

O nível superior de educação sem dúvida é a mais nova febre da classe média, que aposta na faculdade e na pós para conseguir assegurar uma vaga mais alta na escada corporativa. A promessa de salários mais altos com maior especialização é atrativa, mas não se fala sobre os custos envolvidos no processo, que algumas vezes podem até tirar a rentabilidade deste investimento pessoal.

Vamos considerar por exemplo um bacharelado em Administração que, de acordo com esse levantamento de 2017, tem uma mensalidade média de R$866. Não só este mesmo valor poderia trazer você uma renda passiva de R$6,32 todo mês investindo em FIIs, ao fim dos cinco anos de faculdade terá custado quase R$42000. E se pararmos para considerar a oportunidade perdida de quatro anos não investindo, este custo sobe para R$53000. Isso significa que ao fim dos seus primeiros quatro anos como adulto, você não só teria ganho nem um centavo, teria tido um prejuízo equivalente a um carro popular jogado fora.

Compare esta situação se tivéssemos investido os mesmos valores. Durante o mesmo tempo para completar a faculdade, você poderia ter acumulado uma renda mensal de R$309 todo mês, já tendo recebido um total de R$7432 passivamente ao longo destes quatro anos investidos.

A evolução dos rendimentos acumulados é parecida com a famosa bola de neve.

Mas este é um investimento em educação e preparação profissional! as pessoas dizem. Será que o retorno dele vale a pena? Novamente, vejamos a matemática. Segundo um estudo realizado pela Catho em 2019, a presença de um diploma pode aumentar em 25% o salário de um emprego no nível operacional, e um MBA em até 47% o salário no nível gerencial. Seguindo os números da própria pesquisa, neste nível quem obtém o diploma recebe um salário de R$2475 em média. Este é um salário-base maior do que nosso amigo eletricista, e a princípio parece ser um bom investimento ao longo prazo.

Porém, é necessário esperar se formar para começar a receber este salário, o que significa que até então, o estudante precisa financiar a sua educação ou ter alguém que banque estes estudos. No caso do primeiro, o estudante estaria num buraco de mais de R$50000 apenas para começar a carreira. Com estes empréstimos com juros de 18% ao mês, rapidamente se vê que estas parcelas tomariam bem mais do que alguns anos para se pagarem. E isso considerando apenas uma certificação básica de administração, pois se considerássemos algo como Direito (R$1157/mês), Engenharia Civil (R$1286/mês) ou Medicina (R$6631/mês!), a corrida para recuperar o investimento se torna muito pior.

Os dez primeiros anos entre o eletricista e o estudante de administração. Será que vale a pena o custo da faculdade ou especialização?

Conclusão

De maneira alguma estou demonizando o nível superior de educação neste post. Porém, é importante perceber que a independência financeira não depende dele para se ser realizada e que, em determinadas vezes, são os custos adicionais da faculdade que acabam por afetar muito o retorno sobre este investimento.

A mensagem mais importante, porém, é outra: é a certeza matemática que, com a dose correta de disciplina financeira, qualquer um pode alcançar a independência financeira. Mantendo-se aportes constantes e com foco na formação de renda passiva, a aposentadoria não precisa seguir os 25 anos de contribuição via INSS, e sim quando você consegue cobrir os seus gastos (e mais uma margem de segurança) com sua renda passiva total. E, se com a situação salarial até de um eletricista autônomo é possível alcançá-la, isso significa que para a sua também é uma certeza.

Basta que você tome uma decisão financeira de querer se tornar rico e começar a pensar neste objetivo ao longo prazo. Qual passos você irá traçar para isso a partir de agora?


Você acredita que é uma certeza alguém conseguir se aposentar com qualquer piso salarial se simplesmente bons conceitos fincanceiros sejam aplicados com disciplina? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor


Photo by Franck V. on Unsplash

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