Estratégia versus Execução: porque as idéias originais nem sempre são as que vingam?

Quem inventou a lâmpada?

Embora muitos apontem o empreendedor e inventor americano Thomas Edison como o pai da lâmpada elétrica moderna, e pioneiro da indústria elétrica moderna, a resposta completa não é tão simples assim. Edison não inventou a lâmpada “do zero.” Ele pegou uma idéia existente desde pelo menos 1841 de um cientista britânico e a aperfeiçoou, contando com a ajuda até de seu futuro rival Nikola Tesla. Porém, eventualmente com muita pesquisa e promoção, o produto se tornou tão popular que foi o suficiente para que ele se consolidasse como o “pai da lâmpada” e da eletricidade em meados dos anos 1880.

A história da invenção da lâmpada é um clássico exemplo da diferença entre a estratégia e a execução na hora de se lançar uma nova idéia no mercado. Em vários casos na história, inovações bem-sucedidas não foram à primeira vista um sucesso, precisando de uma segunda ou terceira proposta para conseguir conquistar o público. A tela sensível ao toque, popularizada pela Apple por seu lançamento do iPhone em 2007, existe desde os anos 80. Carros elétricos parecem hoje ser invenção da Tesla Motors, mas igualmente existem desde o fim do século 19, quando eram tão populares quanto os de gasolina. Até o empreendedor João Gurgel em 1974 apresentou seu primeiro carro elétrico comercial, época quando Elon Musk ainda era um bebê, e nem sonhava com qualquer possibilidade de criar a Tesla.

Por que, se estes pioneiros tiveram tanta genialidade há tanto tempo, eles não conseguiram obter o sucesso dos seus sucessores? Parte da resposta se dá por conta da importância que a execução, não apenas concepção, da idéia tem. A idéia, a estratégia, sem uma execução forte e definitiva não produz sucesso. Esta dualidade de design, pesquisa versus a promoção e execução está presente em quase todos os elementos do nosso cotidiano, e neste post vamos ver como este conceito pode fazer a diferença quando você quiser empreender.

O cérebro e os músculos

Entusiastas de empreendimentos estão familiares com a história da Apple, fundada por dois amigos na garagem de sua casa na Califórnia nos anos 80. Embora Jobs era a face pública da empresa, e responsável também por toda sua fase de crescimento brutal depois da virada do milênio, são poucos os que conhecem realmente a outro lado da empresa, resultado do trabalho árduo do outro Steve: Steve Wozniak, conhecido pelo seu apelido de “Woz.”

Dentre os dois, de acordo com os próprios funcionários iniciais da Apple, Woz era o inovador, o inventor; Jobs fazia a parte do Marketing. Foi Woz que sentou-se noites a fundo fuçando com circuitos integrados e estudando o sistema operacional UNIX – utilizado até então quase exclusivamente por Mainframes em grandes empresas e universidades – e o adaptou no que seria a base fundamental utilizada nos computadores da Apple. Dada a sua origem similar, você poderia dizer que o sistema Mac OS é o primo do Linux que fez sucesso comercialmente.

Porém, se dependesse apenas de Woz, provavelmente a “Apple” nunca teria saído do papel. Foi a visão de Jobs, com seu foco em interface, interatividade, caligrafia e design que conseguiu transformar o computador pessoal num eletrodoméstico fácil de usar, que tinha apelo à pessoa comum. Seu esforço e marketing transformou o computador de um hobby de engenheiros a algo no alcance do público e eventualmente se tornando o popular personal computer.

Claramente, Woz foi a estratégia da Apple, enquanto Jobs sua execução. Essa dualidade do “cérebro e músculos” é onipresente nas grandes empresas, onde os se entende que dada a limitação humana é melhor espalhar os recursos em vários especialistas do que uma pessoa que faça tudo. E embora algumas pessoas apontam que os sistemas e produtos da Apple não sejam os melhores em termos de performance, utilização de recursos ou até mesmo segurança, isto não impediu o sucesso massivo da empresa. Por quê? Porque eles não precisam necessariamente ser os melhores nestas categorias.

Há uma diferença entre best-seller e best-writer

Em seu livro clássico, Robert Kiyosaki nos conta uma anedota que ele passara após o Pai Rico, Pai Pobre ter sido publicado e ter se tornado o best-seller do New York Times daquele ano. Ao ser entrevistado em Cingapura sobre o sucesso do seu livro, Kiyosaki fora perguntado como ele conseguia escrever tão bem se ele nunca havia tido uma formação de letras ou estudado formalmente literatura. A sua resposta: “Eu fui premiado como um best-seller, não best-writer.”

Esta anedota nos revela outra razão pela qual muitas vezes não são os gênios, criadores e pioneiros que desfrutam do sucesso de suas invenções originais. Você não necessariamente precisa ser o melhor da sua área para suceder: o sucesso está na forma em que você consegue vendê-lo.

Kiyosaki certamente não foi o primeiro educador financeiro a lançar um livro didático – houve pelo menos um outro livro que precedeu seu sucesso – mas sua história pessoal e sua forma de contar conseguiram cativar o público. Ele não precisou ser articulado com a rima e a palavra como Shakespeare, bastou que conseguisse propagar a mensagem com uma boa execução para conseguir se tornar bem sucedido.

Igualmente, podemos encontrar vários outros exemplos de produtos ou serviços que não necessariamente são os melhores nas suas áreas, mas mesmo assim conseguem dominar o mercado. Em outra anedota do Kiyosaki, certa vez numa palestra para estudantes de pós-graduação de Harvard, ele fez a seguinte pergunta:

“Quem aqui consegue fazer um hambúrguer melhor que os do McDonald’s?”

Vários estudantes levantaram a mão. Kiyosaki retrucou:

“Então por que vocês não são mais ricos que o McDonald’s?”

Existe alguma idéia original, afinal?

Finalmente, é parte natural da evolução das idéias humanas que olhamos para trás e tomamos idéias antigas para criar uma idéia nova. Esta melhoria, amalgamação e mistura é uma consequência natural do nosso processo de querer melhorar nossos arredores. Há vários estudos que comprovam que toda a arte e criação humana são, essencialmente, resultados derivados de algo anterior na história.

O impacto deste conceito para o empreendedor aspirante que gostaria de criar o próximo negócio pristino, do zero é que provavelmente você não vai conseguir fazer isso. O mais provável é que você também tome uma atidude de estratégia-vs-execução e crie em cima de alguma idéia que já existe e melhorá-la. Este conceito pode ser encontrado na maioria dos negócios de sucesso do mundo moderno, como os Irmãos McDonald’s criando um restaurante que não trouxesse espera para os clientes.

Um dizer atualmente bem-conhecido no âmbito de investimentos é que aprender com os próprios erros é conhecimento, aprender com os erros dos outros é sabedoria. No empreendedorismo este conceito é mais claro do que nunca; são aqueles que descobrem as falhas da competição e derivam uma maneira mais eficiente e com uma cobertura de marketing e vendas melhor que conseguem “roubar o holofote” e aproveitam o retorno. E para os atentos, pode ser mais fácil do que se imagina: basta apenas prestar mais atenção aos detalhes, às reclamações comuns que pipocam nas conversas, e assim ver onde os outros estão errando em que você pode suceder. As oportunidades, tal como o dinheiro, serão sempre abundantes.


Você conhece algum outro exemplo onde uma execução bem feita superou uma estratégia e idéia originais? Como este conceito se aplica em outras áreas da sua vida? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

6 comentários sobre “Estratégia versus Execução: porque as idéias originais nem sempre são as que vingam?

    1. Olá, Engenheiro, obrigado pelo comentário!

      É verdade, cara. Muitas vezes, não conseguimos de primeira. Eu acho que o maior problema dos visionários é que eles são uma enorme excessão em meios às massas; enxergam longe, mas seus produtos demoram para chegar aos olhos dos consumidores.

      Quem consegue ativamente extrair o conhecimento de experiências alheias realmente tem uma visão incrível.

      Abraços e seguimos em frente!

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