Hábitos formam ou destroem você – quais você irá adotar hoje?

Você ouve o despertador tocar e aperta o botão para silenciá-lo. Levanta meio grogue, caminha até o banheiro. Prossegue para a cozinha, prepara aquela comida de sempre para o café da manhã. Pega o celular e começa a ver quais notificações recebeu na noite anterior e perde alguns minutos surfando nas redes sociais enquanto come.

Sai para ir trabalhar, pega o ônibus ou metrô, segue aquele caminho tão batido que às vezes faz enquanto está olhando no celular, chega ao trabalho. Passado um tempo levanta para o café, faz o caminho à cafeteira e quando menos espera lá está botando o cafezinho. Volta pra casa vendo o celular na mão a viagem toda, e quando chega lá está de TV ligada novamente enquanto janta.

Enfim, se eu fosse descrever um dia típico de um trabalhador num post, ele seria uma bíblia. Fazemos uma quantidade enorme de tarefas durante o tempo de um dia apenas, mas não sentimos passar: este é o poder que um hábito instalado tem na sua rotina.

Há muito tempo comento sobre hábitos no blog, mas nunca cheguei a elaborar com mais detalhes a respeito dos seus efeitos em nossas vidas em geral. Embora muitos não percebam, são seus hábitos que controlam a maior parte da sua vida, deixando em “background” tudo aquilo que você não tem consciência direta sobre. Sem esses hábitos, seria impossível conseguir fazer tantas coisas num dia. Mas enquanto isso traz um alívio de energia mental para nós, se não observado com consciência, podem trazer vícios e outras consequências ruins para a vida.

Quais são os pontos fortes e fracos dos hábitos e como devemos nos policiar a respeito deles?

Você é a soma de todos os seus hábitos

A sua mente possui o lado consciente e o lado inconsciente, e ambos são utilizados a todo momento em que você vive. O lado consciente é responsável por tomar decisões racionais, averiguar e analisar situações complexas e agir conforme as conclusões tiradas.

Igualmente importante, porém, é o lado inconsciente, que está na ativa nas áreas onde o consciente não está focado, e processa muita informação sensorial e do ambiente enquanto o consciente foca no negócio principal.

Muito deste trabalho inconsciente que economiza esforços mentais se dá graças aos hábitos que você tem. A sua postura na cadeira na hora de esperar, trabalhar ou numa reunião, os movimentos dos seus dedos e punhos na hora de digitar, o procedimento relativamente complexo para passar um café na máquina ou tomar banho… todas estas tarefas que, se focadas e pensadas conscientemente tomariam uma grande quantidade de esforço, mas são eficientemente colocadas ao fundo graças à nossa história evolutiva de separar o foco naquilo que importa. De fato, estudos mostram que, em média, estamos neste “piloto automático” em mais ou menos metade de todo o tempo que passamos na vida.

Dado este grande volume de tempo e atenção que hábitos controlam, é fácil concluir que, durante todas as horas onde não estamos focados, nossos hábitos essencialmente controlam o resto da nossa vida. Você é essencialmente a soma de todos os seus hábitos inconscientes.

O perigo mora na hora em que permitimos que hábitos prejudiciais se formem, ou que perdemos a consciência nas tarefas onde ela é crucial, e elas também se tornam automáticas. Mencionei num post anterior como ao iniciar qualquer tarefa nova, devotamos muita atenção para a execução e pensamos em todos os nossos passos e detalhes. Exercitamos a parte consciente da mente.

Ao decorrer do tempo, porém, acabamos por “relaxar” na checagem da tarefa, e acabamos usando menos nossa mente consciente, eventualmente chegando a um nível onde podemos essencialmente passar a tarefa ao fundo. Ao volante, por exemplo, alguns chamam isso “perícia,” mas uma falta de atenção ou consciência ao volante traz consequências palpáveis na forma de acidentes. Assim, ao consolidar uma tarefa ou comportamento como um hábito, perdemos a importante capacidade de racionalizar e analisar se elas estão realmente agregando valor a nossa vida.

Quando isso acontece, o hábito se solifica a ponto de tomar controle sobre nós. Na analogia dos psicólogos Dan e Chip Heath no seu livro A Guinada, é como se o hábito fosse um elefante enorme enquanto nosso consciente uma pessoa minúscula sentada em cima dele, tentando controlá-lo; até quando conseguimos?

Você deve ter a escolha sobre que hábitos irá adotar para a sua vida, e quais hábitos deve livrar dela, e deve repensar esta “higiene habitual” de tempos em tempos. Por que esta escolha é tão importante? Porque tais hábitos representam exatamente nosso comportamento padrão quando estamos em situações desconhecidas.

Hábitos como o “default” da vida

Toda forma de treinamento militar, policial e outras áreas de emergência ou crise enforçam um fator comum central: repetição. Recrutas e candidatos performam a mesma tarefa, situação e procedimentos centenas de vezes, supervisionados por um superior que os corrige até nas menores imperfeições de procedimentos.

Tal forma de treinamento “brutal” é frequentemente exibida em filmes e seriados, e se passa até por cruel, mas tem um fundamento comum: quando entramos numa situação nova ou passamos por uma crise ou situação de estresse, nossa mente consciente desliga, e performamos apenas com aquilo que fomos treinados para fazer.

A polícia ou as forças especiais quando precisam enfrentar tiroteios ou situações de resgate pensam principalmente com a parte inconsciente, averiguando riscos, perigos e oportunidades de sucesso baseados principalmente naquelas centenas de horas de treino que fizeram quando cadetes. Paramédicos fazendo um resgate e ressucitação performam manobras e procedimentos que treinaram anos antes de colocarem-nas em prática. Todo este investimento se paga na hora do procedimento, pois hábitos forjados com tanta repetição e prática são performados com naturalidade, enquanto que para uma pessoa despreparada seria um momento de pânico e, literalmente, congelamento.

Felizmente você não precisa ser policial ou trabalhar numa área com situações de estresse alto para conseguir se beneficiar da criação de bons hábitos. Você apenas precisa saber quais hábitos formar e aplicar a persistência para conseguir forjá-los e consolidá-los de forma a torná-los parte essencial da sua vida.

Consciência dos hábitos, e quando não formar hábitos

Embora a formação de bons hábitos seja crucial para uma vida bem-sucedida, há algumas situações onde tarefas e rotinas não devem se tornar hábitos, mesmo com a economia aparente de energia mental que se obtém.

Quando o objetivo procurado é melhoria contínua – ao contrário de simplesmente manutenção da melhoria – formar um hábito acaba sendo prejudicial ao crescimento. Isso se dá porque a melhoria necessita de uma análise crítica constante que um simples hábito de manutenção não é capaz de entregar.

Compare por exemplo, entrar em forma versus ficar em forma. Para chegar à forma desejada, você deve conscientemente reavaliar a sua atual, e derivar um plano para que conseguir alcançá-la. Por exemplo, poderíamos contratar um personal trainer, fazer uma dieta, pesquisar exercícios e traçar um plano através de recursos da internet, etc. Esta parte deve, imprenscindivelmente, ser feita conscientemente com análise crítica.

Porém, para apenas manter a forma, aqui entra o poder do hábito novamente: com disciplina suficiente, cria-se um hábito para se exercitar todo dia de manhã ou noite, e cozinhar apenas aquilo que é saudável e nutritivo para o corpo. Nesta hora mais vale manter a rotina do que analisá-la.

Esta diferença entre as duas abordagens (consciente e inconsciente) é explorada a fundo no livro High Performance Habits do life coach Brendon Burchard. Burchard aponta seis hábitos cruciais que as pessoas de sucesso constante adotam para manterem-se sempre melhorando e performando. Mas ao contrário da sugestão do título, Burchard nos sugere que devemos não abordar estes “hábitos” da maneira inconsciente e automatizada que tendemos a fazer.

Segundo ele, o segredo para se tornar altamente performante está em justamente fazer com que você consiga tornar a prática destes hábitos uma constante, mas sempre estar consciente de como a execução deles impacta a sua vida, e julgar então como prosseguir e melhorar para o dia seguinte. Esta abordagem é a mais completa; combinamos o poder do inconsciente e automatização dos hábitos benéficos com a auto-avaliação e melhoria da racionalidade consciente.

A partir de hoje, pense novamente nos hábitos que você tem no seu dia. O que você faz? Qual é a sua rotina? Questione-se sobre por que faz alguma determinada coisa de certa forma e se tal coisa poderia ser mudada ou eliminada da sua vida. Os frutos desta análise serão palpáveis.


Como você mantém consciência daquilo que faz “por força do hábito?” Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

Photo by JESHOOTS.COM on Unsplash

3 comentários sobre “Hábitos formam ou destroem você – quais você irá adotar hoje?

  1. kspov

    Caro pinguim,

    uma máxima que tenho pra mim é. A partir do momento que incorporou um bom hábito não o abandone.

    Bons hábitos são que nem nosso Patrimônio, devemos acumula-los ( atividade fisica, boa alimentação, meditação, boas leituras, ajudar o proximo, estudar etc…)

    Obs: Tudo com muito bom senso é claro!!

    Abs e bons investimentos

    Curtido por 1 pessoa

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