Como parar de beber transformou minha vida

Em 2014, descobri com alguns colegas de trabalho a presença de um bar perto do escritório onde trabalhava, em que a cerveja era bem barata e ainda tinha o transporte por perto para voltar para casa. Depois de algumas cantadas e convites, fui convencido a participar de um Happy Hour lá, e a partir desse dia onde se iniciou um hábito a princípio inofensivo, mas a longo prazo extremamente danificante: a bebida alcóolica.

Felizmente, esta história não é uma de superação alcóolatra, e tem um final feliz: desde o final de 2016, efetivamente consegui eliminar o hábito da bebida e com isso minha vida teve uma melhoria palpável. Inicialmente, não me dei conta de como esta melhoria havia se instalado, mas com o passar dos anos, me dei conta que esta sutil mudança conseguiu ter um impacto enorme na minha vida hoje. Isso é porque o hábito de beber acarretava custos além daquilo que aparecia na conta: acarretava em custos da minha saúde e do meu tempo também.

Outro fato interessante é que, ao contrário de muitas histórias de rehabilitação de substâncias, esta mudança não me foi um pingo dolorosa, em grande parte porque tive um grande apoio positivo para seguir este caminho.

O que mudou para melhor desde que terminei de vez este hábito? Hora de mais uma história de vida do Pinguim.

Os custos invisíveis de beber

Quando me chamavam para beber, a princípio eu não via nenhum problema a mais fora do custo adicional da bebida, e talvez pegar o transporte mais tarde numa hora um pouco mais perigosa. O que eu não percebia, porém, era que no processo de ir ao bar, beber e voltar, existiam pelo menos dois outros grandes custos associados: tempo e saúde.

Beber é um hábito extremamente improdutivo quando se trata de gestão de tempo. A surpresa que vem junto com beber é que quando você sai para beber por uma hora, na verdade está perdendo três: uma hora para beber, uma hora para ir e voltar do bar, e mais uma hora para se recuperar da ebriedade.

Esta última hora é em especial invisível: independente de como você planeja, beber envolve se intoxicar e se incapacitar de alguma forma, e se recuperar é um pouco mais complicado que parece. Algumas vezes, se você só bebe à noite não há nada perdido de fato, pois você só iria dormir. Porém, quando se começa a beber durante o dia, ou antes de algum tempo quando iria fazer alguma coisa produtiva, a situação muda. Quase toda vez que eu decidia beber, estava assinando um atestado dizendo que o resto do dia seria essencialmente jogado fora. Isso, para os meus olhos hoje, é extremamente indesejável, já que procuro proteger meu tempo ao máximo possível.

A saúde é outra afetada colateralmente, e de forma tão sutil que muitas vezes não se percebe até que seja muito tarde. Beber atropela seu planejamento para a manutenção da saúde. Planos feitos para se exercitar depois do trabalho? Esqueça. Comer uma coisa mais saudável de noite? Você deve estar brincando. Mesmo com muita disciplina, é difícil conciliar os dois.

R$100.000 ou uma cervejinha com os colegas?

A bebida é um passivo caríssimo, cujos custos se acumulam ao longo da vida de maneira sutil. Para ilustrar como este custo acumula na sua vida, vamos considerar os números do meu hábito extinto de Happy Hours há três anos atrás.

Em 2016, minha média era beber entre três a quatro dias por semana, sendo que nos picos chegava a ser quase seis dias. Graças a esse barzinho “camarada,” barato que encontramos perto do trabalho, numa noite costumava gastar por volta de R$35 em cerveja. Considerando um hábito de quatro vezes por semana, temos a seguinte conta que mostrei num post anterior:

Custo final = (35 reais por noite * 4 noites por semana) * 753 = 105420

Meu hábito de beber me custaria R$105.420 em custo de oportunidade ao longo de um período de dez anos. Pense nesse número novamente, e se você bebe, calcule o seu custo de oportunidade. Você realmente acha que “fazer o social,” jogar conversa fora num bar lotado na sexta-feira realmente vale todo esse dinheiro que você poderia acumular com um planejamento financeiro próprio?

Durante o tempo que bebia, tentava justificar como sendo possível usar o Vale Refeição no bar, e que eu não tinha custos muito altos para começar, mas a verdade é o dinheiro e a oportunidade estavam sendo jogados fora, e eu não estava consciente pela falta de educação financeira.

Que bom que eu cortei cedo!

O papel da companhia e influência na mudança e manutenção dos hábitos

Em meados de 2016, meu hábito de bebidas começou a se desfazer. Já não ia tanto aos happy hours, e deixava a roda de copo na mão com mais frequência. E se muitos que largam a bebida precisam de alguns anos para se aclimar e acostumar de volta, posso dizer que o meu hábito despencou: em Dezembro já não bebia mais nenhum dia da semana. Foi terapia? AA? Cold turkey e muita disciplina?

Nada disso: a única coisa que mudou foi a minha companhia. Essencialmente, foi nessa época que conheci a Sra. Pinguim, que me mostrou um mundo onde não precisava da bebida para estar satisfeito. Como ela não bebia, não alimentou o meu hábito, e assim, não tive mais incentivo para beber mais.

Este processo só reinforça aquela idéia que falei anteriormente sobre poder das influências ao seu redor, especificamente do fato que você acaba sendo a média das cinco pessoas mais próximas de você. Este poder da influência também pôde ser visto nos EUA após a guerra do Vietnã – onde ópio e heroína rolavam soltas. Ao retornarem para casa, surpreendemente apenas 5% dos soldados viciados continuaram com seus hábitos e precisaram de rehabilitação. O resto voltou a conviver num ambiente que desaprovava de drogas, e rapidamente se readaptou ao velho ambiente de casa.

Não há nada de errado em ter um hábito, enquanto há consciência dele

Finalmente, deixo uma observação para clarificar meu ponto: não sou contra, e não vejo nada de errado com a pessoa beber. Apenas afirmo neste post que eu não bebo mais e vejo razões financeiras que confirmam a minha decisão.

Felizmente ou infelizmente, o ser humano ainda é uma criatura de hábitos, e não importa o quanto nos regrarmos, eles sempre estarão lá, em alguma lacuna que a nossa racionalidade fez vista grossa. Alguns destes hábitos podem chegar a virar vícios, a partir do qual as consequências ruins podem surgir. Porém, enquanto se houver a consciência sobre o hábito, eu acredito que eles não são inerentemente ruins. Foi como falei num post anterior sobre o minimalismo; muitos são parte do caráter da pessoa.

Infelizmente, muitas vezes quem pratica um hábito a ponto de vício se torna cego às consequências que ele traz, tornando assim difícil de quebrá-los como se vê com os alcóolatras e fumantes. Neste post, eu apenas compartilho os impactos ruins que beber teve no meu desenvolvimento financeiro e pessoal, e porque logicamente falando, não beber é a escolha mais favorável. Mas, como sempre para cada um a sua escolha!


Você pratica algum hábito que lhe custa dinheiro regularmente? Têm consciência disso? Como faria para controlá-lo e aportar melhor? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

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8 comentários sobre “Como parar de beber transformou minha vida

  1. marcos celio carvalho defina

    Tambem tenho uma esposa que não bebe e não fuma e detesta ficar próxima de gente com comportamentos ébrios. Já eu bebia muito qdo a conheci a 20 anos atrás e hoje apenas tomo umas poucas doses de meu uisque predileto e meu vinho duas vezes por semana porque me relaxa e geralmente só o faço em minha casa. Como disse o grande lance é voce estar sempre consciente e no comando e o vício só mandará em voce se voce permitir. Em qualquer tema da vida a atitude certa é ser sistemático e não avançar as linhas do razoável. Abraços.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Fala Marcos!

      Eu acho que o caminho é esse mesmo, cara: consciência e controle.

      Eu não julgo e nunca julguei quem bebe, e também poderia beber em alguma ocasião especial. Mas se funciona para outras pessoas e elas estão felizes, pode ser.

      Abraços e seguimos em frente!

      Curtir

  2. VL

    Olá Pinguim!

    Tenho uma história semelhante à sua.

    Sou mestre-cervejeiro formado, morei na Alemanha 1 ano, e o hábito de beber cerveja se consolidou fortemente no meu dia a dia por um bom tempo.

    Depois de pedir demissão da empresa em que trabalhava (cervejaria), fui ficando um pouco mais distante dos incentivos a continuar no hábito, mas ainda bebia bastante de finais de semana.

    Porém, possivelmente por causa da idade, acredito que minha alcool-desidrogenase (a enzima que degrada o álcool do corpo) foi ficando menos eficiente hehe. Acordava com dores de cabeça pela manhã (não, não era cerveja ruim) que demoravam a passar.

    Passei a ouvir meu corpo e reduzir o consumo. A tolerância zero nas leis de trânsito foram o golpe de misericórdia para eu deixar de beber enquanto estava de carro. Eventualmente, usamos Uber, mas não passo mais de duas garrafas de cerveja em uma noite. Em casa, eventualmente, uma latinha só por vez, vendo um filme com a patroa.

    A economia é uma consequência, claro rsrsrs. Mas o fator determinante foi mesmo a saúde. Ficar atento aos avisos do corpo é a melhor forma de mantê-la!

    Abraço!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, VL.

      Que história bacana, cara! Mestre-cervejeiro treinado na Alemanha? Realmente old habits die hard nesse caso.

      Eu não tenho nada contra ter um vício ou apreciar algum hábito ou substância, mas na minha opinião é sempre necessário ter a consciência e o controle sobre ele. Imagino pra quem trabalha com cerveja fica difícil evitar.

      De qualquer forma, parabéns pela revolução! Tenho certeza que a carteira e (principalmente) o corpo agradecem!

      Abraços e seguimos em frente!

      Curtido por 1 pessoa

  3. Pingback: A importância de estar consciente – Pinguim Investidor

  4. Coincidentemente parei de beber há alguns meses (após mais de 10 anos bebendo semanalmente-apesar de sem excessos) e ler seu post me motivou ainda mais a continuar nesse caminho que vale muito a pena.
    Só acrescentaria que quando se bebe a noite, pode até ser que não haja perda em termos de produtividade imediata, porém o álcool altera muito a arquitetura do sono (apesar de induzir ao sono, atrapalha a qualidade e impede o aprofundamento). Por provocar noites de sono de pior qualidade, no outro dia, sem dúvida pode atrapalhar a produtividade.

    Excelente blog Pinguim, estou lendo todos os posts até desde o início, valendo muito a pena!

    Curtido por 1 pessoa

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