A importância de começar

Quando se trata de aprendizado e desenvolvimento de alguma habilidade, há um passo mais importante do que fazer um planejamento perfeito ou ter as metas mais ambiciosas com o plano de ação mais perfeito. Este passo é justamente o ato de começar. Começar um novo projeto, começar a aprender alguma nova habilidade, tomar novos hábitos e recomeçar a vida; para tudo, existe aquele primeiro passo crucial, o começo que origina tudo.

Infelizmente, o simples ato de começar geralmente se torna muito mais complexo que deveria ser por conta dos nossos próprios pensamentos nos enganando e nos desencorajando. Começamos a pensar naquilo que pode dar errado e assim sabotamos os nossos próprios planos, adiando as datas de início e algumas vezes nunca vendo o projeto sair do papel. Isso não pode acontecer.

Recentemente, assisti um vídeo do YouTuber Jeff Rose, que já referenciei no blog em alguns posts anteriores, que aborda este assunto de uma maneira interessante: como é que o ato de começar foi o suficiente para que ele transformasse $100 em alguns milhões. Rose explica que foi o ato de começar dele, desde quando ele começou a se interessar pela primeira vez pela educação financeira; e desde então aquele primeiro passo se tornou o ponto de partida para que ele pudesse começar a jornada financeira.

Como é que apenas começar ajuda tanto no desenvolvimento de novos projetos e habilidades? Evitando que uma coisa chamada analysis paralysis aconteça.

Analysis Paralysis: muito planejamento também atrapalha

Embora todos sabemos que fazer um bom planejamento é crucial para ter bons resultados, é preciso frisar que existe uma diferença entre planejamento bom e planejamento perfeito. Quem busca um plano perfeito está arriscando nunca sair do papel por analysis paralysis.

Para dar um exemplo de como isso funciona, considere a hora do almoço: quando você está num grupo e pergunta onde querem almoçar, quase ninguém tem uma idéia definida sobre o que querem. Pode ser isso… pode ser aquilo… tanto faz… ninguém toma ação. Essa falta de ação não é por conta de não saber, mas muito pelo contrário: muitas possibilidades e pouca diferença entre elas. Esse é o efeito da analysis paralysis.

Geralmente é necessário que alguém “unilateralemente” decida o restaurante para que a análise prossiga. Justamente tomando uma ação, mesmo que imperfeita, para iniciar a execução, e se adaptar com o caminho. Sem esta ação inicial, ficamos paralisados procurando por uma resposta perfeita, mesmo se essa nunca chegar.

O efeito do analysis paralysis é mais forte do que se imagina, especialmente quando o assunto é tentar alguma coisa nova. Entramos, essencialmente num modo de paralisia por não haver, por exemplo, uma forma de checar nosso progresso e averiguar se o que estamos fazendo é de fato correto, e assim perdemos o estímulo para começar. Analysis paralysis, assim, representa o que acontece quando deixamos nosso planejamento teórico tomar as rédeas do nosso processo de decisão. Como podemos combater isso?

Simplesmente com o ato de começar!

O método M.O.R.E.: engatando o primeiro passo

Para quebrar o círculo vicioso do planejamento insistente e as consequências indesejáveis que ele traz, podemos simplesmente tomar o primeiro passo e, de forma simples, começar. Tomar o passo inicial mesmo que não seja perfeito, ou livre de erros. Rose recomenda no vídeo a abordagem de um framework de produtividade que ele entitula The MORE method.

Rose explica que este foi o método que ele utilizou para transformar os primeiros 100 dólares investidos no seu negócio inicial no patrimônio atual que possui, e consiste em focar nos seguintes pilares para conseguir desenvolver um novo projeto: ajuda, consulta, ação e revisão.

Cada uma das letras apresentadas no método possui um significado e um ponto de ação significante. Vamos ver o que cada uma significa.

M: Mentor

A primeira letra do framework significa Mentor. Em seus vídeos, Rose foca muito na idéia de ativamente procurar as pessoas com mais experiência que você para tê-las na sua esfera de influência. A idéia se baseia naquela estatística hoje já bem conhecida de Jim Rohn na qual você se torna a média das cinco pessoas mais próximas de você. A estratégia de Rose, então, é elevar esta média para incluir pessoas de alto nível mentorando você com mais frequência na sua vida. Esta estratégia também é bastante difundida entre os leitores do empreendedor Tai Lopez.

Um lance interessante na aborgadem de Rose é que ele reconhece que nem todo mundo possui um mentor com um histórico bem-sucedido disponível ao seu alcance (de fato, pode-se dizer que a maioria do mundo não se encaixa nesta visão). Portanto, ele sugere uma exposição indireta, mas ainda assim eficiente na forma de outras mídias: ao ler ou consumir material publicado por algum mentor, por exemplo, estamos nos aproximando do mentor mesmo sem contato direto.

Rose ilustra isso com um exemplo pessoal, explicando que abrira os olhos para o mundo das finanças pessoais com os livros do Robert Kiyosaki. Eu tenho uma história parecida, mas com o ponto de entrada sendo o blog do Mr Money Mustache.

O: Open

Seguindo o caminho do framework, temos Open, que neste contexto significa específicamente abrir contas. Que contas, você pergunta? Conta bancária para o seu novo CNPJ, conta numa corretora para começar a investir, abrir uma conta numa plataforma de mídia ou marketing digital, etc. Você pegou o ritmo.

Pode parecer inofensivo, mas o simples ato de se abrir uma conta já tem uma implicação grande no seu caminho para o novo projeto: ele indica que você deu o primeiro passo para ter comprometimento no seu novo projeto. A sua idéia do novo negócio pode parecer bem abstrata ou um reles esboço no papel até então, mas no momento que você entra na agência bancária e declara que quer abrir uma conta especificamente para a empresa, a percepção muda completamente. A coisa agora se materializou, se tornou séria.

Igualmente, quando estamos começando a aprender sobre educação financeira, investir é um conceito futuro, que faremos “depois.” Ao abrir conta numa corretora, mesmo que gratuitamente, trazemos este futuro para perto. Fazemos um comprometimento implícito ao tomar este primeiro passo para começar, e muitas vezes, é este “empurrãozinho” que nos leva a tomar embalo e começar a realizar os planos.

R: Research

Um pouco contraditório à idéia de execução, Research afirma que temos que fazer nosso dever de casa antes de prosseguir 100% com os nosso objetivos em mente. O lance é que Rose entende que há um limite para quanto planejamento é suficiente para não cairmos na armadilha do analysis paralysis. Com isso, o foco é na pesquisa de base para possuir conhecimento sobre como começar. Após esta fase, a experiência adquirida com a execução se torna o professor.

Um exemplo é começar um blog ou página em rede social para começar a promover o seu trabalho ou empresa. Você pode começar estudando páginas e sites famosos onde você deseja se espelhar, catando os bons exemplos de cada um, ler um livro ou fazer um curso sobre o assunto, etc. Porém, nada vai lhe ensinar tanto sobre o assunto quanto realmente sentar para produzir conteúdo e começar a publicar, aprendendo quais posts são mais efetivos, quais não produzem feedback bom, e ajustando conforme este feedback apresenta.

Um pouco de preparo é crucial, mas devemos sempre lembrar que parte do aprendizado também consiste no fazer.

E: Execute & Enjoy

A última parte do framework de Rose consiste em entrar em ação finalmente. Neste ponto, a pesquisa necessária já foi feita, consultoria com os experientes já foi realizada, os primeiros passos preparativos já foram concluídos, e só resta agora engatar e prosseguir sem medo de errar.

Esta é a parte vívida, onde tudo aquilo para o qual nos preparamos se materializa e vivemos a situação em tempo real para conseguir adaptar com as mudanças que aparecem durante a execução. Ter flexibilidade e adaptividade aqui é crucial, já que parte do feedback é responsável pelo aprendizado que temos. Aqui podemos começar com um plano semi-definido, e com o tempo adaptá-lo e incluir novos planos com a experiência obtida, num real plano de execução vivo.

Rose também acentua a importância também do outro significado da letra E: Enjoy. Se você chegou até aqui, é provável que tenha feito alguns sacrifícios ao longo do caminho, como investir parte das suas horas livres da sua rotina para o propósito maior, ou ter tido que se distanciar dos seus colegas e amigos cujos hábitos não se alinhavam com seus objetivos. Não se deixe levar pelo embalo e consumir toda a sua sanidade mental; não deixe utilizar a parte do tempo que ainda lhe sobra para se resetar e descansar com frequência saudável. A não realização disso é uma das raízes do problema de burnout.

Apêndice: Semelhanças ao ciclo OODA

Ao vermos o framework do MORE, é natural que vemos semelhanças entre os movimentos de execução ágeis e principalmente o ciclo OODA (Observe, Orient, Decide, Act) sobre o qual escrevi anteriormente.

OODA também nos encoraja a seguir uma rotina de mais ação, e com o planejamento e melhorias embutidos em ciclos ágeis de recebimento e análise de feedback. Eu inclusive diria que, exceto pela parte de mentoria e busca de conhecimento expert, OODA e MORE são congruentes. Enquanto que o OODA foca mais na execução e heurística de informações, MORE foca mais em ação e compromisso ao progresso. Considerando tudo, é necessário ter os dois para ter sucesso hoje em dia.

Em suma, iterações rápidas e conscientes batem um começo com todo o planejamento perfeito. E, mais hoje do que nunca, podemos ver isso ao dissecar as histórias de sucesso dos empreendedores que magicamente “acertaram” nos seus produtos e serviços depois de várias tentativas falhas.


Como você se motiva a começar um novo projeto, aprender uma nova habilidade ou retomar algum projeto que fora abandonado a um tempo atrás? Já inconscientemente aplicou o framework MORE e não sabia?

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor


Vídeo do Jeff Rose sobre o Framework de MORE: https://www.youtube.com/watch?v=BU-KV7B–ek

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6 comentários sobre “A importância de começar

  1. Muito bom o texto, eu acredito que sem saber do framework MORE, comecei várias coisas esse ano dessa maneira:
    – O blog lá em janeiro (sem saber nada fui indo atrás de informações)
    – A investir (estudando finanças, frugalidade, etc)
    – E recentemente esse mês, voltando para academia…
    Vou tentar buscar mais atenção no passo a passo do MORE e OODA para tentar melhorar.
    Abraço!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Parabéns, Semeador!

      Verdade, MORE é só um nome dado pelo Jeff Rose a um boi de produtividade. Acho que o melhor mesmo é herdar várias boas práticas de fontes diferentes e montar o seu próprio framework.

      Força aí nesses últimos meses do ano!

      Abraços e seguimos em frente!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Excelente post!

    Eu já conhecia o Jeff Rose sigo o canal dele no Youtube. Para mim faz sentido uma pessoa usar várias medias para a sua mensagem.

    Eu já tinha dois blogs, mas resolvi abrir um canal no YouTube de empreendedorismo e investimento para poder alcançar mais pessoas.

    O facto de começar é muito dificil, eu senti isso quando comecei os meu canal do YouTube, demorei muito a cria-lo e a fazer os primeiros vídeos.

    Abraço e bons investimentos.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Legal, DIL!

      Acho que muitos da finansfera ainda não conhecem o canal dele. Acho bem motivacional e com umas dicas além do âmbito de investimentos.

      Que legal que você abriu um cnal no YT, esse é o meu próximo passo depois do Podcast criado. Qual é o endereço?

      Começar é realmente o primeiro passo para quebrar barreiras iniciais.

      Abraços e seguimos em frente!

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