Comentário do Pinguim #3 – Quando vai estar bom para se preparar financeiramente?

O ser humano parece que nunca está numa situação satisfeita; há sempre uma oportunidade ou outra de reclamar e se socializar com outros seres humanos reclamões, ou de culpar alguma coisa ou outra pela razão que sua vida não está 100% perfeita ou de acordo com algum padrão ditado.

Esta matéria do InfoMoney reverbera bem a mensagem, quando expõe que mais de 60% da população não consegue economizar nada no fim do mês.

Isso mesmo, mais de metade da população pesquisada tem uma taxa de aporte zerada, e isso em meio a uma situação econômica positiva, onde se canta um repertório de recuperação e reconquista econômica no país, junto ao novo governo.

Como é que tanto em meio a prosperidade econômica as pessoas ainda não conseguem se beneficiar financeiramente? A resposta pode estar na forma de como as pessoas justificam suas decisões financeiras.

De quem é a culpa dos seus erros?

Para a massa que adora reclamar, existe outro fator unificante deles: todos os seus problemas, a princípio, são causados por fatores externos sobre os quais eles não tem nenhum controle. A vida acontece para eles e eles não têm nenhuma coisa a fazer sobre ela. Este approach, tal como descrito no livro The Subtle Art of Not Giving a Fuck de Mark Manson, os colocam numa posição sem poder para resolver seus problemas, então ficam à mercê da vida, sempre em posição passiva.

Quando a economia está ruim, eles culpam o governo, a situação, e dizem que é impossível se planejar financeiramente com o estado da economia atual. E quando a economia está boa, eles culpam a “necessidade” de ter que aproveitar a vida ativamente por não poder poupar mais e se planejar financeiramente.

Tudo é os outros, nada são eles. Esteja a economia boa ou ruim, sempre há um cúlprito responsável que não são eles. Soa familiar na descrição de alguém que você conhece?

É interessante ver o “índice do Bem estar,” definido no artigo como “o nível médio de bem-estar financeiro da população.” O que vemos é que o valor máximo que aparece na pesquisa é de 50.1, e se encontra justamente com a parte mais velha da população (50 anos e acima). Não é muito diferente valor de 48.2 encontrado na população jovem, o que confirma que ninguém realmente é mais sábio na população quando o assunto é educação financeira.

A história se repete

A situação atual parece reverberar os tempos do ano de 2009, quando a economia do Brasil começou a se destacar mundialmente após não ter sofrido tanto quanto o mundo desenvolvido, e as descobertas do pré-sal e o bid ganho para dois eventos mundiais de esportes seguidos.

Quem não se lembra da euforia que existia naquela época? Alegria de ter ganhado destaque no mundo, todos se tornando empreendedores e querendo abrir negócios pegando a cauda do fogo da indústria do petróleo, Brasil sendo anunciado como uma economia maior que a da Inglaterra… Era impossível não se sentir otimista e inspirado, pronto para dominar o mundo.

Nesta época, estava no meu primeiro emprego e lembro como as pessoas se iludiam tanto com este otimismo demasiado – todo feriado prolongado eram viagens e programas pagos com o bom e velho “aproveite agora e pague (dobrado) depois.” Mas para quê se preocupar, não é mesmo? Os ventos estão em popa e os tempos estão bons. Isto é… até que alguma coisa estrague o bom-humor do mercado e coloque a economia em crise, como aconteceu em 2013.

Brazil Takes off (Novembro 2009) vs Has Brazil blown it? (Setembro 2013) - Você vai deixar a mídia ditar quando é que
você deve se preparar financeiramente?
Veja o bom exemplo do The Economist aqui.

Será que só eu vejo uma semelhança aqui esses dias?

Tomando propriedade e responsabilidade das decisões financeiras

Aprenda a tomar propriedade sobre suas decisões financeiras, assim como as outras decisões da vida. É o único jeito de você conseguir melhorar a sua situação: tornando-se responsável em fazer as decisões certas. Que decisões seriam estas? Muito complexas, talvez? Errado. Até decisões bem simples possuem efeitos enormes se levadas com disciplina e longo prazo, como:

  • Não gastar mais do que ganha.
  • Fazer orçamentos realísticos e honrá-los ao longo do mês.
  • “Pagar-se primeiro” e reservar parte do orçamento para investir.
  • Criar (e manter) a sua reserva de emergência antes de investir ou realizar alguma compra.
  • Procurar educar-se financeiramente pelo menos algumas horas por semana com diversos livros e blogs disponíveis na finansfera.

Estas são algumas das boas decisões que você pode tomar, mas e se alguma decisão que você achava que era boa se tornar ruim e te impactar negativamente? A abordagem não muda: você se torna responsável pelo erro, e o utiliza para aprender mais e se planejar melhor no futuro.

É este o Mindset, de ownership das coisas da vida, que possibilita que você aprenda e se desenvolva, crescendo sempre cada vez mais. E mais, é um fator estóico que também permite que você tome controle sobre qualquer situação – ou pelo menos, a parte que importa para você (sua percepção).

Conclusão: importa a cor do berço que você nasceu?

A situação econômica ao seu redor não deve ser desculpa para que você não se prepare financeiramente. Ultimamente, é você quem cuida do seu dinheiro e tem total controle sobre ele, e é este mindset que deve adotar se quiser obter sucesso financeiro. Sem esta visão, você estará apenas andando em círculos além de reclamar de maneira vazia.

Por fim, compartilho esta frase do Bill Gates que sumariza exatamente a situação descrita no artigo:

If you were born poor, it’s not your fault. But if you die poor it is.

Que tal tomar responsabilidade de tudo o que acontece na sua vida, seja bom ou ruim? Independente de onde você se encontra atualmente, é este o primeiro passo para que você se desenvolva.

Você conhece alguma pessoa que não consegue se planejar financeiramente mesmo em frente à uma situação de prosperidade nacional? Se sim, compartilhe este post com ela. Pode fazer a diferença lá na frente.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor


Fonte: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/noticia/9310823/brasileiro-nao-tem-dinheiro-para-imprevistos-e-segue-sem-planejar-futuro-financeiro

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6 comentários sobre “Comentário do Pinguim #3 – Quando vai estar bom para se preparar financeiramente?

  1. Pinguim Investidor,

    Excelente post.

    Vitimização é um problema sério, mas a maioria dos que pensam assim, passam a vida inteira com o mesmo discurso: a culpa é de todos, menos da própria pessoa.

    “quando expõe que mais de 60% da população não consegue economizar nada no fim do mês.”
    Mesmo quem ganha pouco, muito pouco, acho que tem capacidade de poupar ao menos um pouco. Nem que seja R$ 10,00 para iniciar. O problema é que fomos ensinados que consumir é muito mais importante do que poupar, mas com tanta informação sobre educação financeira e questionamentos sobre o excesso de consumo, talvez algumas pessoas comecem a se interessar pelo tema.

    Gostei da citação do Bill Gates. Eu ainda não conhecia. Ele tem toda razão.

    Um bom final de semana,

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, S&H!

      Obrigado pelo comentário! Realmente se jogar de vida é um mal contagiante e infelizmente muito comum na vida moderna. Enquanto em outros tempos era necessário achar comida e abrigo para sobreviver, hoje não ter wi-fi é o fim dos tempos!

      É verdade, todos temos a capacidade de poupar alguma coisa, não importa quão pouco ela seja. E sempre há um valor útil relacionada com a quantia: quem poupa apenas 10 reais deve aprender a poupar outros 10 reais no mês que vem, e depois 20, 30,100, 1000… só não pode acreditar que o esforço é em vão.

      Abraços e seguimos em frente!

      Curtir

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