O que você tem feito pelos seus dois melhores amigos?

Quando começamos a conhecer os investimentos, geralmente o primeiro passo é um trabalho psicológico nos provando – convencendo, até – que investir é o caminho correto para enriquecer. Para uma pessoa frugal por natureza, este passo é bem curto, talvez até desnecessário, já que os valores são alinhados naturalmente com os hábitos da pessoa. Porém, uma pessoa consumista pode perceber os hábitos de poupar e investir a diferença como perda de oportunidade, seja para fazer algum programa ou comprar algo com o dinheiro.

Neste último caso, o trabalho geralmente é mais difícil; a pessoa precisa se convencer que os ganhos trazidos de aportes regulares e investidos com sabedoria possuem valor maior que os passivos imediatistas que o dinheiro poderia comprar. Com isso, com este artifício de comparação, a pessoa pode descobrir e decidir por si mesma que vale mais a pena investir do que gastar.

Esta técnica é útil na hora de aplicar a razão diante das emoções em tomar uma decisão financeira, mas ficar fazendo estas comparações analíticas na prática é maçante e não nos lembramos de tal utilidade. Como você pode se lembrar de fazer a escolha racional e melhor para o seu futuro diariamente?

Lembrando dos seus dois melhores amigos para a vida toda: você no passado e você no futuro.

Você no passado: gratidão, orgulho e compreensão

O seu primeiro melhor amigo é você mesmo no passado. Aquela mesma pessoa que já foi criança, adolescente e um jovem adulto, até meio que irresponsável, mas que sem ele ou ela nada do que você tem hoje teria sido possível. Esta pessoa é o seu primeiro melhor amigo.

O que acontece é que quando pensamos nos nossos planos futuros, geralmente os nossos feitos passados são esquecidos, jogados de volta pro segundo plano. O sucesso que tivemos até então, e todos os resultados são ofuscados para focar naquilo que justamente não temos: um patrimônio milionário, uma carreira exilarante, a vida dos sonhos, etc.

Não há nada de errado em ter ambição e sonhos, aliás não sonhar grande é um erro frequente na hora de estabelecer metas. Porém, não se pode querer esquecer do seu passado para apenas olhar para frente sem perceber o quanto você já conseguiu evoluir até agora. Fazer isso é uma receita para o hedonismo tomar conta e você nunca se satisfazer na vida.

Ao invés de esquecer do passado, derrotas e vitórias inclusas, pense em você no passado e como atualmente você é literalmente a consequência de todas as escolhas e ações que essa pessoa tomou. Não só você assume responsabilidade por tudo aquilo que te trouxe até aqui, mas também expressa gratidão por tudo aquilo que proporcionou a você cada aspecto da vida que tem hoje. Inclusive gratidão aos erros e falhas que cometeu ao longo do tempo, pois você nunca teria aprendido tais lições valiosas se não tivessem acontecido.

Este é o seu Eu passado: aquele que você agradece por tudo que te fez até agora.

Você no futuro: otimismo, planejamento, dever e disciplina

Virando a atenção, agora é a sua vez de fazer alguma coisa para o seu outro melhor amigo: você no futuro. Esta pessoa é quem você deve sempre deixar em mente toda vez que fazer uma escolha ou tomar uma ação. As consequências de tal escolha ou ação vão ajudar você no futuro? Você está fazendo alguma coisa que vai ajudar você no futuro tanto quanto o você no passado te ajudou até agora? Este tipo de análise rápida e prática ajuda a eliminar tentações e vícios não-produtivos que você pode estar passando no presente.

Pensar em você no futuro é fazer um planejamento com dever e disciplina primeiro, e prazer depois. É uma forma de você colocar na mesa todos os seus valores e pensar independente das emoções momentâneas, e sim racionalmente a longo prazo. Muitas vezes perdemos o lastro ou a noção do que uma escolha hoje vai nos acarretar no futuro, e ao nos colocarmos como os beneficiários diretos, fica muito mais clara a relação que nossos atos terão. Análise de impacto e de benefícios ajudam, mas não são tão eficientes quanto essa analogia.

O seu “eu” do futuro se torna uma peça crucial para que você crie seus objetivos e tenha a disciplina em mente sempre que confrontado com alguma decisão. Coloque-se na sua mente daqui a algumas décadas, e adquira este hábito de sempre analisar o que é importante para você.

Os melhores amigos e o estoicismo

A técnica dos dois amigos é alinhada com o conceito de “praticar a pobreza” do estoicismo, mas com um toque a mais: quando decidimos nos “privar” agora em prol de ajudar a nós mesmos no futuro, com prática suficiente, a adaptação e ajuste às condições causa isso a deixar de ser um sacrifício para nós. A adaptação hedônica, aplicada ao contrário, pode produzir resultados extraordinários.

Se você no passado não tinha esta mentalidade estóica, assim como eu, então se adaptar a este novo mindset será uma das maiores melhorias que você poderá entregar a você no futuro. E assim, com a prática diária, você aprenderá mais e logo isso se tornará rotina conforme você incorpora o estoicismo diariamente na sua rotina.

A visualização negativa também pode entrar forte aqui, pois ao se “privar” de alguma forma na sua maneira de servir você mesmo no futuro, você passa a ver que realmente há muito ainda que você poderia se privar além da sua linha de base da vida. Não ir pra boate ou pro happy hour de quinta-feira toda semana não é motivo para você sofrer; imagina se você não tivesse nem dinheiro pra passar o fim de semana com comida o suficiente?

Conclusão: o passado como orgulho e inspiração, o futuro como os horizontes

Há muitas formas de se planejar e se disciplinar para manter o caminho aportando e acumulando patrimônio constantemente. Me imaginar no passado e no futuro foi uma das formas mais simples que encontrei de fazer isso.

Aprenda a valorizar você no presente reconhecendo como você no passado se esforçou e conseguiu contribuir para você estar na situação atual, qualquer que ela seja. Enxergue o futuro como os seus horizontes e uma meta sempre a ser mantida à vista.


E você, já tinha o hábito de pensar nos seus dois melhores amigos antes deste post? Como você “segue no caminho” e resiste à tentações em geral? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

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5 comentários sobre “O que você tem feito pelos seus dois melhores amigos?

  1. Nossa… Que viagem bacana eu fiz lendo este post.
    Na verdade, quando invisto, eu penso muito nesse meu melhor amigo do futuro. Muito mesmo… Claro que, não da forma intencional, explícita no seu texto.
    Mas me fez refletir bastante.
    Seu texto vai me ajudar a mostrar a alguns amigos a importância de começar a investir.
    Obrigado pelo texto, Pinguim. Fenomenal.
    Grande abraço!
    Stark.
    http://www.acumuladorcompulsivo.com

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, Stark. Qur bom que gostou do texto!

      Li sobre este conceito dos “dois amigos” há um tempo atrás, antes mesmo de conhecer a IF ou o desenvolvimento pessoal, mas foi só agora que a importância dele clicou de vez.

      Que bom que conseguiu refletir bastante sobre o assunto. Planejar é preciso, mas muitas vezes, na hora H, nossas emoções nos controlam, então este jeito de pensar em você lá na frente me ajudou bastante a me racionalizar nas decisões.

      Abraços e seguimos em frente!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Anônimo

    Eu gosto muito dos seus textos, reflito bastante sobre minhas práticas, e tenho tentado mudar meu modo de viver e enxergar a vida. Seguir o estoicismo sem sacrificar para sempre o bem estar e o que é importante para a família TB é bem importante né? Ter equilíbrio entre um e outro… Pq tenho um caso bem próximo na família onde o chefe da família passou a vida inteira juntando grana e todo o dinheiro da família foi para os investimentos de imóveis e nunca deu nada além do básico para a esposa e os filhos, viagem, roupa, nem os móveis de casa ele comprava, a geladeira deles tava um lixo e quem deu foi um dos filhos quando começou a trabalhar… Hj esse casal já é idoso e o patriarca ainda não saí para almoçar fora com a esposa e os filhos e netos para economizar ( todos os filhos trabalham e são independentes) não viaja com a esposa e os filhos e netos, enfim não quer gastar com nada, só gasta com remédios e médico da esposa achando ruim. A esposa dele que apoiou ele a vida toda com a promessa de que depois eles iriam curtir a vida e a aposentadoria tá irada pq tá vendo que vai morrer e passou a vida toda se sacrificando para comprar um monte de tijolo e concreto…
    Já comentei aqui outras vezes com meu nome, mas dessa vez será anônimo

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, Dividendos!

      Que bom que gostou do post. Essa foi a maneira mais simples que encontrei de “racionalizar” os objetivos quando estamos encarando uma escolha emotiva (ver um celular na loja, olhar um carro, ver a fachada de um restaurante caro…).

      Abraços e seguimos em frente!

      Curtir

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