Resenha do Pinguim #7 – People Tools for Business de Alan C. Fox

Mais uma resenha do Pinguim saindo do forno. Desta vez faço um pequeno desvio do meu caminho de leituras sobre investimentos e empreendimentos e volto a um assunto sobre o qual escrevi as minhas primeiras resenhas: auto-ajuda.

Quando compramos algum eletrodoméstico ou dispositivo novo, ele geralmente vem com um manual do usuário, assim como o seu carro, mas na maioria das vezes não os lemos. Quando você vai fazer alguma coisa de novo, você também recebe algumas instruções e geralmente as segue (do caso contrário, pular de asa delta ou mergulhar de cilindro teriam muito mais fatalidades!)

Na vida, porém, não recebemos esse manual de como proceder, e assim temos que aprender por nós mesmo a nos virar; errando e até mesmo nos acidentando pelo caminho do aprendizado. Não seria muito mais fácil se pudéssemos ter um manual de instruções ou um guia para nos orientar como proceder em diversas situações na vida e nos negócios com outras pessoas?

Enquanto este manual não vem, o livro People Tools for Business do emprendedor, investidor imobiliário e escritor Alan C. Fox é o mais próximo que já encontrei. Parecido como um manual de instruções filosófico, o livro é estruturado na forma de 50 breves anedotas para serem utilizadas em diversos contextos e ocasiões, chamadas de people tools. Este livro é a continuação de seu livro anterior e com ênfase na parte de negócios, mas é aplicável também pra parte da convivência pessoal.

Lições práticas de vida: estoicismo de sobrevivência no trabalho

Fox lista suas people tools utilizadas para lidar com várias situações interpessoais predominantemente buscando uma espécie de “paz interior,” evitando a decepção, raiva e tristeza com os problemas alheios.

Esta estratégia ecoa a do estoicismo, que busca eliminar as emoções tóxicas e buscar plenitude na vida através do uso da razão. Por exemplo, as people tools Wait Three Days, Laugh, e Ask for a Pineapple Fluff entre outras lidam todas com o controle sobre uma única emoção: raiva. Mas por trás desses nomezinhos espertos e engraçados, há um conceito chave.

Fox clarifica no livro um conceito chave: o seu trabalho pode não ser o mais prazeroso, mas ele com certeza é onde você passa a maior parte do seu tempo. Dessa forma, não vale a pena passar raiva, estresse ou decepção no trabalho para viver uma vida inteira querendo fugir dele e esperando o fim de semana, mesmo que o objetivo final seja se aposentar cedo. Se você não se policiar quanto a isso, pode perder produtividade, acumular doenças físicas e até mesmo perder o emprego.

O truque dele é modificar pequenas percepções e reações a determinados problemas e situações a fim de criar uma percepção racional dos problemas e outras dificuldades do trabalho, e assim catalisar uma situação ruim numa situação neutra ou positiva. E assim, aprendendo a desarmar situações ruins e melhorar a percepção diária, passamos a produzir mais e, ganhar mais e, igualmente, poupar nossa saúde.

Vejamos a seguir algumas das people tools que eu achei mais poderosas.

Leave Grumpy at home

Fox nos aconselha a deixar o mau-humor em casa antes de sair. Quem nunca se aborreceu de alguma forma já de manhã antes de sair de casa, ou por ter acordado tarde, ter dado alguma coisa de errado ou se irritar no trânsito ou no transporte público? Se seu dia já começa assim, nas piores, pare imediatamente. Reconsidere a importância de tudo o que acontece e o impacto que isso deveria ter no seu dia produtivo. Vale mesmo a pena se aborrecer e já começar o dia cuspindo fogo no escritório? A resposta é não.

A solução, na anedota de Fox, é direta e reta: deixe o Zangado em casa. Simplesmente assim: você na hora que você acordar, faz uma promessa pra si mesmo que não vai deixar o seu humor estragar o seu dia. Se alguma coisa não der certo, seja gente grande o suficiente para entender que isso foi causado por você mesmo, e siga em frente. Afinal, a situação não irá melhorar a não ser que você faça alguma coisa.

Desta forma, pra que continuar com uma visão negativa e um astral baixo desde o começo quando temos a oportunidade de reinventar a rotina e começar filtrando aquilo que entra de negativo no começo? Esta é a idéia central desta anedota.

Ride the Up elevator

Similarmente ao ponto anterior, Fox nos recomenda que, não importa aonde você começou o seu dia – seja no subsolo da raiva e miséria, ou na cobertura da felicidade – você deve sempre tentar terminar pegando o elevador que te leve pra cima.

Desde quando comecei a considerar os people tools, o melhor elevador que consegui na vida foi sem dúvida a Sra. Pinguim; sempre que estou pra ir pra casa, me lembro de como ela me faz bem bem, e aí não me importa se passei o dia inteiro na garagem do subsolo ou na varanda de um andar la no alto; minha mulher sempre irá estar lá no último andar me esperando.

Você procura terminar o dia mais alegre do que começou? Esta técnica pode te fazer sentir mais feliz mesmo com coisas não tão excelentes.

Give it away

As vezes, temos a tentação de querer abraçar a tarefa e fazer tudo o que nos é passado para “mostrar serviço” como uma forma de orgulho próprio. Porém, muitas vezes este hábito nos consome mais do que necessário, pois acumulamos tarefas demais que poderiam ser cumpridas por outras pessoas mais focadas em determinado assunto.

É aqui que Fox entra com a people tool do Give it away: delegue. Delegue com prazer e sem olhar para trás. A depender do seu cargo ou trabalho, você nem sempre estará apto a fazer tudo você mesmo, então é necessário confiar na equipe, e distribuir.

Eu mesmo peco neste people tool porque muitas vezes não me lembro de delegar muitas tarefas para outros do meu time por achar que posso fazer um trabalho melhor eu mesmo. Mas por outro lado, acabo me empilhando de trabalho que não necessariamente me agrega valor.

Vamos começar a pensar mais sobre o que podemos, de fato, entregar sem olhar pra trás na vida e focar naquilo que realmente interessa.

Wait Three Days

Quantas vezes não nos deparamos no trabalho com alguma situação desprazerosa como um email malcriado ou que nos faz queimar de ódio por dentro no momento que o lemos. Se deixarmos as emoções tomarem conta, nos precipitamos em fazer algo que irá apenas prejudicar a nós mesmos.

Para lidar com situações como essa, a people tool Wait Three Days recomenda que você deixe passar um tempo entre a provocação e a resposta a fim de “esfriar a cabeça,” pensar racionalmente, e aí sim responder à tal situação.

Fox explica que ele criou esta técnica na época antes dos emails, quando a comunicação era feita primariamente através de correspondências, e o tempo de resposta permitia a espera de alguns dias. Hoje, provavelmente não seria aceitável tanta espera, mas o conceito-base continua o mesmo: não se precipite a responder ou agir de forma descontrolada se alguma coisa o tirou do sério. Esfrie a cabeça, respire fundo e tome a decisão racional correta.

Quantas vezes não vivemos um momento desse, de cabeça quente e fúria, na vida? “Dar um tempo” realmente pode fazer a diferença entre sucesso e desastre aqui.

Drive safely

A anedota final de Fox é uma que precisamos seguir e nunca nos esquecer durante a vida toda. De nada adianta o sucesso, dinheiro e luxo se não estivermos vivos para aproveitá-los. Portanto, sempre devemos tomar cuidado, colocando a nossa vida e saúde sempre em mente enquanto vivemos a vida.

Fox utiliza a analogia de dirigir um carro como uma forma de viver a vida. É preciso sempre tomar cuidado nos menores dos detalhes para evitar um arranhão ou amassado, um acidente, ou até mesmo a morte. Assim, é necessário ter sempre a consciência de estar cuidando da sua vida para que você possa voltar e aproveitá-la quando quiser.

Como você dirige com segurança na vida? Mantenha a postura. Exercite-se regularmente. Faça alongamentos de manhã. Cultive seus relacionamentos com quem lhe é importante. Crie um fundo de emergência financeiro. Etc. A vibe é essa.

Isso não significa, porém, que não devemos aceitar risco na vida. Risco é ainda uma unidade essencial na vida na busca de novos objetivos e progresso e deve ser abraçado quando se entende dele.

Conclusão: people tools como procedimentos práticos de negócio

E assim, a resenha fica por aqui, mas não as lições. People Tools for Business possui diversas outras people tools que Fox explica concisa e praticamente com base nas suas experiências pessoais com investimentos e empreendimentos. Não caberia tudo num post só, então se você gostaria de ler o resto, recomendo que procure o livro. A leitura é rápida, simples, e não é um Inglês difícil.


E você, possui alguma “bíblia” de procedimentos e relacionamentos humanos? Quais people tools você já usou ou usa diariamente no trabalho ou na vida?

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

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2 comentários sobre “Resenha do Pinguim #7 – People Tools for Business de Alan C. Fox

  1. Meu pai me deu mtos people Tools e a vida outros.
    Uma coisa que realmente considero util é aquele aspecto de dar mais valor ao que você realmente acha importante na sua vida, ao invés de dar mais valor a algo que você queira muito no momento.
    Isso nos poupa de varias armadilhas sagazes, que parecem ser recompensas, mas no fim são coisas que nos afastam daquilo que realmente queremos para nossas vidas a médio e longo prazo.
    Abs

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, Rafael.

      Que bom que teve várias lições de um pai como mentor. A maioria das minhas lições eu tive que aprender na marra em relacionamentos complicados no trabalho.

      Gostei do modo de pensar: colocar o objetivo de longo prazo lá longe como um horizonte e se guiar com ele. Mais vale a cerveja agora ou mais ativos pra render na carteira depois? É uma análise simples e rápido de fazer.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços e seguimos em frente!

      Curtido por 1 pessoa

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