Elenco do Chaves falido: Por que tantos artistas entram em falência?

Há algumas semanas saiu um artigo falando que a atriz Mexicana Maria Antonieta de las Nieves, que interpretava a personagem Chiquinha do Chaves, está com dificuldades financeiras. A notícia pode vir como uma pequena supresa, mas na verdade não é a primeira vez que o elenco do Chaves enfrenta dificuldades financeiras; Rubén Aguirre, o professor Girafales, já estava com dificuldades nos seus últimos anos de vida, e mais recentemente a Dona Florinda também revelou que passa dificuldades que a forçaram a vender a sua própria casa.

Não estou aqui para julgar a dificuldade da vida de ninguém, mas é triste que no caso da Chiquinha e do Girafales, ambos tiveram problemas financeiros por conta dos altos custos dos tratamentos de saúde. Ninguém acredita muito que os custos de vida poderão inflar com o tempo até ver um caso como esse, especialmente se os objetivos são pequenos demais, e por isso é necessário planejar a fundo várias camadas de emergências financeiras para poder acomodar tais incertezas.

O mais interessante, porém, é que este padrão não se limita ao elenco do Chaves. Se pesquisarmos sobre celebridades falidas, veremos que a mesma história se repete com vários outros artistas, cantores e atletas com cachês e salários altíssimos e que, de alguma forma, conseguem perder todo o seu patrimônio ou pior: se endividam em milhões de dólares. E todas estas histórias possuem uma causa-raíz em comum.

Qual é este elemento? Falta de ativos.

Ativos: a lição básica que segura o conceito inteiro

Uma das primeiras lições que os livros do Robert Kiyosaki – porta de entrada de muitos para o mundo de finanças pessoais – ensinam é: os ricos compram ativos, os pobres compram passivos, a classe média compra passivos pensando que são ativos. Kiyosaki explica o que são ativos e passivos de forma extremamente didática: ativos colocam dinheiro no seu bolso, passivos tiram dinheiro do seu bolso.

Esta revisão dos básicos é um bom ponto de partida neste post porque explica rápida e sucintamente a razão por trás da falência do elenco do Chaves e os outros ricos de aparência: se você gasta seu dinheiro apenas com passivos, não conseguirá de forma alguma sustentar o seu dinheiro. E o dinheiro, como grandeza finita, acaba pra todos se não for mantido bem. A única forma de prevenir esta depreciação é tomar o caminho oposto e adquirir ativos na forma de investimentos.

Infelizmente, esta regra é mais fácil dita do que seguida. Ativos e passivos são frequentemente confundidos (casa própria é ativo? Mas eu posso trabalhar com o meu carro no Uber, então é ativo, certo?), e, francamente falando, passivos nos seduzem de uma forma que os ativos simplesmente não conseguem, exceto por muita visão e planejamento. Afinal, quantas vezes você já ouviu alguém ostentando que comprou R$5000 de ações por aí? Na Finansfera não vale!

Talvez seja por isso que tantos artistas e outros indivíduos com altíssima renda insistem em comprar compulsivamente tantos passivos, mais caros que os anteriores, sedados na promessa de que basta simplesmente chegar o próximo contrato, cachê ou salário gordo que irão recuperar todo o dinheiro que perderam. Até o dia que este não chega.

Renda passiva não é luxo, é sobrevivência

Thomas Stanley, nos seus livros sobre os milionários dos EUA, poderia nos dizer: Um alto salário não faz o Milionário; é necessário manter a riqueza também. E no caso, esta manutenção de riqueza só é possível através da economia e investimento da diferença. Se esta fórmula simples for seguida, o resultado é a formação de um parimônio e capital produtivo, que gera uma renda extra complementar regularmente.

O que aconteceu com o elenco do Chaves foi justamente o contrário: ao adquirir diversos passivos que não lhe trouxeram valorização alguma, ou rendimentos, acabaram se enterrando cada vez mais com mais gastos recorrentes ao invés de renda extra, o que lhes drenara cada vez mais a fonte fixa e limitada de renda que possuíam. Ao invés de acumularem mais renda no final do mês com aluguel, dividendos ou valorização de capital, receberam mais impostos, contas, parcelas, juros e taxas pra pagar no fim do mês.

Essencialmente, estavam todos dependendo do salário alto e o grande pagamento no fim do mês para redimí-los do sofrimento, e quando esse não passou mais a vir, a situação ficou preta. O Girafales, por exemplo teve sua única fonte de renda cortada por um acidente debilitante, e não pôde arcar com os custos altos do tratamento sem outras fontes de renda. Florinda, tendo que vender um de seus passivos (casa própria) para se sustentar, me parece ter tido um destino parecido.

As pessoas bem-sucedidas entendem que renda complementar além do salário é uma questão de sobrevivência e que, ao longo prazo, literalmente faz a diferença entre ser pobre ou ser rico. E quando esta renda complementar se acumula significantemente e se torna passiva, a mágica acontece. O próprio Warren Buffett já dizia: Se você não encontrar uma maneira de ganhar dinheiro enquanto dorme, irá trabalhar até morrer.

Acumular passivos quebra até os mais bem-pagos

Há quem acredite que, dado um salário alíssimo, alto além da imaginação, não há limites para o que se pode ter na vida. Mas a verdade que mais frequentemente aparece é que não há limites para as perdas derivadas de um estilo de vida orientado ao prazer material de passivos sem valor financeiro algum.

Dois grandes exemplos disso são os atores Johnny Depp – que perdeu uma fortuna de mais ou menos US$650 milhões pra entrar numa dívida de US$4.2 milhões – e Nicholas Cage – que torrou US$150 milhões em coisas simplesmente bizarras e depois, ao invés de tentar consertar a bagunça, resolveu descontar sua frustração no planejador financeiro que por anos aconselhou-o a não seguir esse caminho.

A lição a ser tirada daqui, e de outros vários artigos que podem ser vistos sobre esse tema na internet é a mesma que o Robert Kiyosaki alertou décadas atrás: passivos comem o seu patrimônio mais rápido que a maior parte dos ativos consegue sustentar, independente do salário.

A recorrência desse assunto hoje em dia nos leva a concluir que não há salário hollywoodiano que possa cobrir um buraco causado por falta de educação financeira e hedonismo descontrolado.

Pense nisso na próxima vez que considerar comprar um passivo caro que te seduz misteriosamente (carrão dos sonhos? Casa própria? Smartphone top?).


E você, qual foi o passivo mais caro que vocês já foram tentados a comprar? Como se sentiram na hora de tomar a decisão?

Foquem no acúmulo de patrimônio e muita disciplina na hora de aportar!

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

11 comentários sobre “Elenco do Chaves falido: Por que tantos artistas entram em falência?

  1. Texto incrível amigo Pinguim!
    Eu estou coçando para realizar a troca do meu veículo, mas até então tenho conseguido parar e pensar que não é a hora certa ainda. Quanto a celulares, estou com o meu a quase 4 anos já, único defeito é a bateria meio viciada, mas de resto está tudo bem, logo não vejo motivos para comprar outro.
    Abraço!

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    1. Obrigado pelo comentário, Semeador!

      É verdade, é muito mais fácil falar sobre não comprar passivos, resistir a tentação, acumular ativos, do que de fato fazer. Até o ano passado, o único computador que eu tinha era um modelo 2007 que, graças ao Linux, funcionava ainda perfeitamente, mas finalmente resolvi comprar outro depois de 11 anos.

      Aprender a reaproveitar ou estender a usabilidade é uma habilidade preciosa.

      Abraços e seguimos em frente!

      Curtido por 1 pessoa

    1. A idéia é boa, Marcelo. Volta e meia aparece mais uma história dessa na internet onde Fulano Famoso de Tal aparece paupérrimo.

      Só toma cuidado pra não pegar um Nicholas Cage da vida como cliente, que vai tentar te processar pelos erros que ele vive cometendo!

      Abraços e seguimos em frente!

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  2. Eu e meu marido já tivemos nosso momento sem noção. Foi quando começamos a receber um salário mediano e ficamos cegos… lembro de um dia que entramos em uma loja cara, e saímos com a nota fiscal de quase R$5.000,00, sendo que tínhamos comprado apenas 2 calças e 3 camisas para ele. Caímos no canto da sereia do vendedor. Depois disso ainda cometemos alguns outros excessos, até que percebemos o quanto não fazia sentido o que estávamos fazendo. Beijos.

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    1. Olá, Yuka.

      É verdade, acho que todos nós já passamos por alguma fase dessas. Momentos de muita euforia são perigosos, e aprendi a sempre procurar o equilíbrio das emoções pra não tomar uma decisão precipitada.

      Nos policiemos quanto a isso!

      Abraços e seguimos em frente!

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