Alinhamento preço-valor: o post definitivo

Um dos conceitos que eu falo com mais frequência no blog é sobre valor. Neste assunto, há uma frase do Warren Buffet que muitos outros blogs de finanças gostam de mencionar que fala que Preço é o que você paga, valor é o que você recebe. E ele está certo, especialmente no âmbito dos investimentos, onde muitas vezes o valor recebido ao comprar uma empresa está muito além do que uma cotação ou valuation pode dizer.

A partir deste conceito se derivam as histórias da bolsa como as 10-baggers, 100-baggers, e seus opostos diamétricos, mas hoje quero falar de uma visão diferente sobre o conceito do valor. É uma visão do valor ainda relacionado ao preço, mas é o valor agregado relativo de algum custo que você inferiu.

Este conceito para mim é importantíssimo, e um fator crucial para o meu planejamento orçamentário e de gastos mensais. Tomei conhecimento deste conceito pela primeira vez no livro Your Money or Your Life de Vicky Robin e Joe Dominguez, e toquei brevemente no assunto durante a resenha, mas nunca me aprofundei no que ele significa, e como ele pode ser utilizado, ainda que tenho me referido a ele em vários outros posts.

Neste post irei explicar o conceito definitivamente, e mostrar como ele mudou e pode mudar a sua visão sobre gastos e orçamentos definitivamente.

“Gazingus Pin” – por que temos impulsos para comprar coisas?

No seu livro, Vicky Robin explica um conceito chamado de Gazingus Pin que é crucial para identificar fraquezas e elaborar o orçamento doméstico. Por trás deste nomezinho engraçado está um problema enorme: Gazingus Pins são as coisas que, quando expostos à elas, simplesmente não conseguimos resistir ao impulso de comprar.

Existem Gazingus Pins diferentes para cada pessoa, mas todo mundo tem o seu. Pense naquele cara que tem não sei quantos relógios na gaveta, mas sempre usa o mesmo. Ou aquela mulher com mais de 50 pares de sapatos no guarda-roupa e ainda assim sempre traz mais quando vê a palavra “Promoção.” Ou o casal que já tem dois carros mas ainda quer um terceiro, só precisa achar uma vaga barata pra alugar.

Cada um tem o seu e, não; por definição não é possível resistir ao seu. Robin, por exemplo, conta no livro sobre uma pessoa que possuía mais de 40 camisas brancas idênticas na gaveta ao morrer. E, transparência total, eu também tenho o meu: uma fraqueza por canetas finas que não falham.

Mas… mas… cada uma delas é única de um jeito… cara!

Gazingus Pins representam a antítese do alinhamento Preço-Valor: você recebe zero valor pelo preço pago.

Gastar dinheiro não é o problema. O problema é com o quê você gasta

O objetivo do orçamento inteligente, tal como descrito por Robin em seu livro, é justamente eliminar os Gazingus Pins da sua vida. Porém, isso não significa eliminar toda e qualquer coisa não-essencial da vida, e é para isso que o alinhamento preço-valor é importante.

Robin descreve em seu livro que um orçamento tradicional costuma falhar para a maioria das pessoas pela mesma razão que uma dieta não consegue mantê-las no peso ideal; para haver mudança consistente, é necessário a criação de um hábito perene, e não uma grande disciplina efêmera. Para isso, segundo ela, é necessário começar a mensurar qual dos seus gastos te traz valor, e qual valor é esse.

Aqui entra em jogo a percepção do valor: Robin sugere que, ao anotar seus gastos, você deve marcar com um “+,” “0” ou “-” a quantidade de valor e felicidade recebidos através de tal gasto. Gastos que te agregaram valor recebem o “+” enquanto aqueles que não agregaram embora o custo recebem o “-“. Esta é a hora de questionar os seus hábitos:

  • Valeu a pena ter saído pra aquele Happy Hour ou você só queria agradar o chefe?
  • Comer naquela churrascaria todo mês te traz tanta satisfação pra justificar repetí-la todo mês?
  • A conta da TV a cabo ou Netflix todo mês corresponde à diversão, entretenimento e realização que o serviço te traz?
  • O preço das roupas que você comprou mês passado correspondem à utilidade e prazer que elas vão te trazer?

Etc.

Com todos estes gastos propriamente classificados, o seu objetivo então é:

  • Diminuir, ou até cortar os gastos marcados com “-“
  • Continuar, ou até aumentar os gastos marcados com “+”

Aumentar os gastos? Como assim, é isso mesmo? Incrivelmente, sim. Pois se os gastos estão alinhados com a sua percepção de valor pessoal, fazer mais deles pode te trazer mais felicidade. Então o impacto final será positivo. Claro que precisa haver um limite pra evitar exagero, mas a idéia principal permanece. E é esta a minha idéia de alinhamento preço-valor.

Conclusão

Estar sempre consciente do valor recebido dos custos inferidos é crucial para conseguir moldar a sua vida numa forma melhor. Desde que li o livro, modifiquei a forma da qual anotava meus gastos para incluir esta análise de valor recebido, e o resultado foi surpreendente. Não só conseguia ver no fim do mês como cada categoria do orçamento me retornava de valor overall, mas também mudou meu approach a muitos gastos. Comecei a antes de entrar num restaurante ou bar pensar no cardápio e pensar comigo mesmo se o valor que traria valeria o preço lá descrito – racionalizando a decisão de impulso emocional.

Eu uso um sistema baseado no Django que eu mesmo escrevi pra anotar os meus gastos

Ficar consciente deste alinhamento de valor com preço foi definitivamente um dos fatores que me levou a economizar mais da metade do salário, e hoje não me dá trabalho nenhum pra praticar. Ainda sigo tentando eliminar todos os gastos negativos da vida, mas estou muito melhor hoje do que antes.


E você, pensa no valor agregado do gasto ao realizar uma compra? Qual é a técnica que você usa na hora de analisar se um certo gasto vale a pena? Escreva nos comentários!

Abraços e seguimos em frente!

14 comentários sobre “Alinhamento preço-valor: o post definitivo

  1. Costumava a gastar muito com maquiagem e bolsas. Hoje vejo que jogava fora com frequência minhas maquiagens vencidas, mesmo tendo validade para quatro anos, pois colecionava itens repetidos. Mesma coisa com bolsas e sapatos, não precisam ser coloridos e diversos para variar, sendo que no final das contas, transferir itens pessoais de uma.bolsa para a outra, sempre que sai de casa acaba esquecendo ou uma caneta, ou um batom, e por fim acabava percebendo que a vantagen é ficar com uma única bolsa. Sapatos, bastam básicos e confortaveis 2 ou 3. Pra que a coleção de 8 bolsas e sapatos que precisam de band aids? Preferível escolher a qualidade que a quantidade. No inicio parece difícil, depois você fica consciente e repara suas economias.

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  2. O que é legal quando você descobre essa relação (tão difícil de diferenciar no início) de preço e valor é que cada dinheiro economizado (ou gasto) nos faz feliz. Eu por exemplo, passei a gastar mais quando passei a comprar alimentos orgânicos. Mas gasto com felicidade genuína e prefiro gastar mais em alimentos saudáveis do que em algo que nem sinto prazer (como uma ida a um chá de bebê de uma colega de trabalho na qual nem amizade tenho). Ver minhas filhas comendo tomate no meio da rua, e até mesmo comendo as sementes e os cabinhos da maçã rsrs. Isso não tem preço… beijos.

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    1. Olá, Yuka!

      É verdade, antigamente quando eu só pensava em economizar não via como poderia atingir valor maior gastando dinheiro, mas esta análise me proporcionou uma nova visão; vale a pena gastar – e repetir! – com aquilo que realmente lhe agrega.

      É só tomar cuidado para não cair no hedonismo!

      Abraços e seguimos em frente!

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    1. Olá QVV!

      Eu também achei sensacional. Essa parte do valor é só uma de muitas outras coisas valiosas que está no livro. Wall charts, pensamento nos gazingus pins… e olha que o livro foi escrito nos anos 90!

      Qualquer dia elaboro mais sobre essses outros conceitos. Abraços!

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