Como a Finlândia ensina a ser feliz, e o que você pode aprender com isso

Os países nórdicos são tidos por muitos como modelos ideais para uma sociedade. Desenvolvimento Humano, liberdade, baixíssima percepção de corrupção e outros valores são presentes em suas sociedades, e isso lhes traz retorno; a Finlândia, por exemplo, foi rankeada o país mais feliz do mundo pela segunda vez consecutiva em 2019.

Certamente a Finlândia soube capitalizar em cima deste fato. Há um programa de turismo promovido sob a tagline Rent a Finn, onde você pode contratar um “especialista em felicidade” como o seu guia turístico para conhecer o jeito Finlandês de ser feliz. E, há alguns meses atrás, tal programa foi viralizado quando foi anunciado que tal programa seria disponibilizado de graça para alguns poucos sortudos que fizessem os melhores vídeos explicando porque mereciam ganhar a campanha.

O deadline para esta campanha infelizmente já passou. Porém, as lições da Finlândia continuam disponíveis, de graça, para você; basta apenas que você comece a ver a vida sob os mesmos olhos que os felizes Finlandeses. Pra mim, muito do que eles praticam e ensinam reverberam com o estoicismo.

Lições da Natureza

A campanha do Rent a Finn é focada especialmente no contato e imersão na natureza; assim como o norte da Suécia e Noruega, a Finlândia possui florestas e áreas verdes extensas. Nas propagandas e vídeos promocionais, pode-se ver claramente que o foco da propaganda é a vida junto à natureza; banhos em lagos tranquilos no meio das florestas, saunas tranquilas em casas ao lado de bosques, etc.

Será que isso significa que só se pode ser feliz morando-se no meio da natureza? O meu entendimento é um pouco diferente: a natureza indica uma vida com menos auxílios, e que força o indivíduo a viver de modo mais independente, sem alguém ou alguma coisa que resolva os seus problemas. Além disso, viver na natureza também implica aproveitar o que o ambiente te proporciona, e assim, você aprende a dar mais valor pelo o que você possui ao seu alcance.

Estas duas características reverberam com os conceitos do estoicismo: nele, você produz o seu próprio caminho com o que você possui, e contempla o que poderia ser se você simplesmente não o tivesse. Além disso, viver na natureza pode ser visto como a forma mais extrema de se forçar o desconforto, abandonando os luxos da cidade incluindo a internet, que é uma das formas mais eficientes de se combater o velho problema de adaptação hedônica.

Claramente, ao se afastarem do conforto e a conveniência das cidades, os Finlandeses conseguiram se posicionar de uma forma de se beneficiar estoicamente. Mas e quem vive na cidade e depende dela para subsistir, poderia reproduzir tais benefícios? A resposta é sim!

Levando a prática da felicidade para as cidades

Difícil não querer ter uma aposentadoria calma, tranquila e em meio ao verde da natureza depois de ver como é na Escandinávia.

Cavando mais a fundo, podemos concluir que a mensagem do Rent a Finn não é sobre ser feliz morando na natureza, mas sim ser feliz aproveitando as ofertas simples que a vida tem. A palavra-chave aqui é aproveitar, no sentido mesmo de parar um pouco para apreciar o momento, o instante que a vida tem para oferecer.

Pense no momento em que você acorda e toma o café da manhã – você está realmente saboreia a refeição, o café e aproveita a situação? Ou simplesmente engole a comida na pressa enquanto checa o celular pra ver o que aconteceu enquanto dormia?

Quando está indo e vindo do trabalho, está aproveitando o tempo que passa no trânsito de forma produtiva, e agradece que tem um trabalho em primeiro lugar para te providenciar? Ou abre o joguinho do celular assim que senta e reclama que o trânsito está cada dia pior?

Pode parecer insignificante, mas aproveitar as coisas pequenas da vida e ver como cada coisa realmente te traz valor produz um grande retorno de felicidade quando somado ao longo de todos os dias da vida. E se você percebe que uma certa tarefa ou parte da rotina não te traz valor, é hora de eliminá-la da sua vida.

A adaptação hedônica é facilmente eliminada pela natureza já que todo dia você é desafiado a fazer algo novo se quiser sobreviver. Comida pedida por telefone? Nada disso. Eletricidade e água abundantes? Pode esquecer. Mesmo que na cidade este desafio não exista tão ubiquitamente, é possível forçá-lo com quebra e mudança de hábitos. Tente algo diferente hoje. Procure outra forma de ir e voltar pro trabalho. Leia, aprenda algo novo e o pratique. Procure um novo hobby.

Igualmente, “trazer a natureza para a cidade” também funciona. Qual é o seu lazer no fim de semana: ir ao shopping e gastar compulsivamente e comer uma refeição com preços inchados? Ou aproveitar um dia no parque ou na calçada da praia, com o contato com a natureza e fazer um piquenique que, embora nada gourmet, é a comida que você preparou com sua dedicação e carinho?

Estes são alguns pequenos passos que ao simplesmente você tomar conhecimento e começar a seguir, já poderá fazer a diferença sobre como colher mais felicidade na vida.

E o dinheiro, ajuda?

Os céticos são rápidos para apontar que, por trás da mensagem bonita da campanha, a Finlândia está entre um dos países mais ricos do mundo por PIB, e isso oferece uma vantagem injusta ao comparar com outros países. E eles não estão errados: ter dinheiro, pelo menos uma quantidade mínima, é necessário sim para se obter uma tranquilidade financeira que se traduz em tranquilidade no cotidiano. Afinal, se os Finlandeses realmente não precisassem do dinheiro, Rent a Finn seria chamado de Borrow a Finn.

Embora na Finlândia, por exemplo, não exista Salário Mínimo, muitos concordam que a prosperidade que a população aproveita vem do fato que a assistência oferecida do governo é generosa.

Porém, isso não significa que apenas os ricos, ou somente nos países ricos e com boa infraestrutura que se pode ser feliz. Se esta realidade não existe naturalmente no Brasil ou em outro país, você precisa criá-la você mesmo. Começar devagar, aportar regularmente e ter um plano para criar renda passiva suficiente para finalmente virar a chave da independência financeira.

Desta forma, você pode usar o modelo Finlandês de vida feliz – riqueza suficiente adquirida, estilo de vida simples, mas não espartano, contato com a natureza – como uma forma de objetivo para os seu planejamento financeiro também. Lembre-se de incluir uma margem de abundância positiva para a riqueza, pois a falta de uma margem para emergências é um risco inerente ao movimento FIRE.

Conclusão

Rent a Finn pode ser um programa audacioso, até que gaba da felicidade geral dos Finlandeses em relação ao mundo, mas as mensagens deles são importantes e, acima de tudo, acessíveis às demais pessoas. Você não precisa morar na Finlândia para saber que princípios estóicos, combinados com uma atitude minimalista e de gratidão ao que se têm atualmente podem te levar quilômetros à frente na jornada de aproveitar a vida.

Mas viver próximo de uma linda floresta com lagos e saunas naturais também ajuda bastante.


E vocês, contratariam um Finlandês para ensiná-los a serem felizes? Já praticam algum destes princípios? Comentem aí!

Abraços e seguimos em frente!

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6 comentários sobre “Como a Finlândia ensina a ser feliz, e o que você pode aprender com isso

  1. Simplicidade e Harmonia

    Pinguim Investidor,

    Excelente post.
    Nos dias atuais, com os excessos de atividades, de distrações e ilusões, acredito que desacelerar, valorizar o simples, a natureza, o essencial e o momento presente são fundamentais para a saúde física e mental.
    Sempre costumo escrever sobre esses temas em meu blog.

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    1. Simplicidade e Harmonia

      Em relação a praticar algum dos princípios, acredito que viver de verdade o momento presente é um grande passo para iniciar essa jornada, pois a consciência e a cosmovisão acabam mudando ao percebermos ricos detalhes que não havíamos notado antes ao mesmo tempo em que percebemos quanto tempo desperdiçamos com coisas não tão úteis, ilusórias ou que nos levam a exaltar mais o TER em detrimento do SER.

      Boa semana!

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      1. Olá, S&H.

        Realmente, num mar de informações e o TEMPO que temos de sobra hoje em dia em comparação ao passado (tudo é instantâneo, tudo queremos agora!), acho que todos nós poderíamos nos beneficiar de simplesmente largar um pouco o excesso e focar naquilo que realmente nos traz valor.

        Tenho tentado cada vez mais achar a felicidade naquilo que tenho ao alcance, mas ao mesmo tempo, não meço a ambição para acumular patrimônio. Não vejo ironia nestes dois approaches porque penso que é a partir do meu patrimônio que poderei me livrar do maior “excesso” da minha vida: o trabalho. Então o esforço vale, sim, a pena.

        Abraços e seguimos em frente!

        Curtido por 1 pessoa

  2. Oi Pinguim, adorei o exemplo que deu: “Quando está indo e vindo do trabalho, está aproveitando o tempo que passa no trânsito de forma produtiva, e agradece que tem um trabalho em primeiro lugar para te providenciar? Ou abre o joguinho do celular assim que senta e reclama que o trânsito está cada dia pior?”. Com certeza a maioria só reclama rsrs. A própria internet é um grande exemplo disso, podemos usar para estudar, aprender coisas novas, nos conectar com pessoas interessantes, mas muita gente acaba usando para disseminar o ódio, fofocar, provocar inveja, acompanhar vida dos outros, etc. Um beijo.

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    1. Oi Yuka, obrigado pelo comentário!

      Eu passei a me policiar muito quanto ao meu tempo “ocioso” depois de ter lido um post no TheMinimalists onde Josh escreve sobre “being on the mountain.” Segundo ele, sempre temos que viver o momento, seja ele qual for, ao invés de “estar com o corpo num lugar, mas com a cabeça em outro.” Depois dessa leitura, passei a tentar aproveitar mais os momentos de downtime e otimizar o meu tempo.

      Engraçado, ontem mesmo minha mulher comentou comigo que ela nunca me ouve reclamar de nada. E hoje isso é quase um esporte nacional. Me impressiona ver como as pessoas conseguem arranjar tanta energia pra reclamar, mas são incapazes de tentar alguma coisa nova rs

      Abraços e seguimos em frente!

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