Reflexões: lições após 1 ano de aprendizado financeiro

O post de hoje é muito especial para mim. Ele é especial porque representa um marco na minha vida: há um ano, em Maio de 2018, comecei a minha jornada em busca da Independência Financeira.

Eu já possuia algumas tendências frugais antes disso (às vezes me chamavam de Tio Patinhas), mas na verdade nunca havia prestado muita atenção às minhas finanças, e muito menos me atentado ao potencial de maximizar os benefícios combinando-as com investimentos.

Ano passado isso mudou. E a minha vida mudou completamente em consequência disto.

Um dos primeiros posts que publiquei aqui conta a minha história e evolução de mindset que tive desde que comecei a vida adulta. Aqui compartilho alguns insights que tive nesta jornada de um ano atrás até hoje.

A importância do aprendizado

Comecei o meu interesse por finanças pessoais quando descobri por acaso o blog do Mr Money Mustache. Estava procurando por maneiras baratas de me exercitar, preferencialmente em casa e achei um de seus posts. Dali, comecei a ver que o assunto era muito maior do que apenas ser frugal ou querer economizar na academia.

Meu passado frugal fez que meu cotidiano já contasse com aportar bem, mas não tinha muito propósito além disso. Foi ali que eu descobri que era possível, sim, “zerar o jogo” e atingir um objetivo maior de vida chamado independência financeira. Eu fiquei vidrado no assunto – nunca mais um aporte inconsciente de dinheiro seria feito em vão. Agora eu tinha um número definido como meta financeira e podia mensurar o quão perto estava de atingí-lo.

Restava-me ainda aprender muito sobre o mundo dos investimentos, então este foi próximo passo a seguir. Investi pesado em leituras recomendadas por vários sites e blogs de finanças, e desde que essa jornada começou, já devo ter lido uns 25 livros e fiz resenhas de alguns. Não foram só livros também: investi horas incontáveis de vídeos, podcasts e seminários de educação financeira.

Olhando pra trás hoje, vejo que a lição mais importante no meu despertar financeiro foi o do aprendizado constante. Se eu não tivesse a sede de aprender mais, é provável que nunca teria descoberto o mundo FIRE além daquele post do Mr Money Mustache, e o Pinguim Investidor nunca teria existido.

Sempre tentem aprender alguma coisa e lembrem-se: muitas vezes, o aprendizado está mais no fazer do que no estudar.

O dinheiro é uma medida da liberdade na sua vida

Antigamente eu achava que o dinheiro era um assunto maçante, batido e desnecessário. Não cheguei a achar que dinheiro era a raíz de todo o mal como alguns fazem, mas não via o dinheiro como nenhuma prioridade nenhuma.

A descoberta do movimento FIRE virou este conceito do avesso, especialmente quando me dei conta de que o dinheiro é uma medida proporcional à quantidade de liberdade que você possui. Daquele ponto em diante percebi que ter dinheiro precisa ser uma das metas da vida.

Renda passiva, por exemplo era um conceito completamente desconhecido por mim, e agora é um dos mais importantes. Igualmente, passei a considerar muito mais a fundo os gastos que tenho, pois ao gastar dinheiro também estou gastando horas investidas da minha vida além de um pedaço da minha liberdade. O livro Your Money or Your Life me mostrou esta realidade.

E finalmente um marco gigante na minha vida aconteceu recentemente quando finalmente consegui economizar mais de 50% do meu salário líquido. Se manter este nível constante de aportes, segundo os conceitos de Jacob Fisker, estou matematicamente garantido a chegar à independência financeira.

Olhando desta forma, fica difícil não acreditar que o dinheiro é uma medida da nossa liberdade.

O valor agregado é o fator que determina o sacrifício

Percepções de valor são relativas e pessoais, e isso nunca esteve mais claro pra mim quanto agora que aprendi sobre educação financeira. Preço e valor são grandezas independentes, e você não deve achar que o preço alto é proporcional ao valor agregado.

  • Quantas vezes não fui beber em bares caros depois do trabalho pra “fazer um social” e aceitei pagar caro em bebida que podia ter comprado por metade do preço no supermercado do lado de casa? Mas aí não tem a companhia! E quem disse que a companhia de colegas de trabalho é o que estou procurando depois de passar 5 dias enfurnado junto a eles?
  • Quantas vezes também não cheguei a comer em restaurantes com preços inchados e artificiais na hora do almoço porque “é sexta-feira, vamos fazer alguma coisa especial.” O que é especial em um dia da semana qualquer que tem as mesmas demandas que os outros no trabalho?

Situações como estas me levaram a refletir sobre o valor das coisas na minha percepção. O conceito de gastos orientados ao valor que aprendi no livro Your Money or your Life se tornou claríssimo aqui.

Hoje, sei filtrar quais coisas realmente me agregam felicidade e valor e não economizo nelas. E as coisas caras que não me agregam tento reduzir até conseguir cortar os gastos totalmente. Não é perfeito, mas estou aprendendo como um exercício constante.

Cada fase da jornada tem a sua ferramenta certa

É importante perceber e aceitar que cada fase que você se encontra possui uma estratégia própria pra ser seguida. No começo da minha jornada, comecei a me interessar muito pelos investimentos e comecei a procurar os jeitos de investir melhor para acelerar o enriquecimento. Levei alguns meses estudando, e depois percebi que os investimentos não seriam o veículo que eu usaria para enriquecer, mas sim me manter rico.

A realização disso foi crucial para entender que o investimento não deveria ser o foco 100% do meu esforço: encontrar novas fontes de renda é a ferramenta certa pra enriquecer no meu caso.

Por isso, parece que estou agora entrando em mais um mindset: a do Pinguim Empreendedor.

Podem esperar mais posts falando de empreendimento este ano! 😊


E é isso aí pessoal. Os meus insights não páram por aqui, e continuo aprendendo constantemente na minha jornada à independência financeira.

Olhando pra trás, é interessante ver como evoluí neste um ano de despertar e aprendizado financeiro. Não vou dizer que a minha vida virou 180 graus como acontece com muitas pessoas, mas ainda assim a mudança foi palpável pra mim.

Que venham mais muitos outros anos de aprendizado e evolução financeira!

Como foi o despertar pra educação financeira de vocês? Surpreenderam-se? E há quanto tempo estão na corrida até FIRE? Escrevam nos comentários!

Abraços!

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12 comentários sobre “Reflexões: lições após 1 ano de aprendizado financeiro

  1. Muito legal o post Pinguin. Também sinto esta mesma evolução que você. Eu já era minimalista, mas o FIRE me deu o motivo para eu acordar cedo todos os dias. Eu me divirto demais com a jornada, adoro ler sobre o tema. Vou adorar ler seus posts sobre empreendedorismo, também tenho pensado e lido muito sobre esse assunto. Beijos!!!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Yuka!

      Que legal! Eu sinto que a sensação de mudança pra mim foi bem essa que você descreveu: passei a acordar com um objetivo de vida todo dia.

      Ouvia falar muito sobre isso, que “não é o destino, e sim a jornada” e me parecia clichê demais. Mas foi só começar a entrar no caminho FIRE que percebi que não só os aportes e lucros no fim do mês, mas o aprendizado diário me traz alegria.

      Apenas curioso: há quanto tempo você está no caminho do FIRE?

      Abraços!

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      1. Estou no movimento FIRE há 4 anos, mas já investia desde 2010. O patrimônio só deu uma boa alavancada depois que tive a mentalidade FIRE. No final deste ano, acho que consigo chegar aos 85% do valor que preciso para a minha independência financeira. Mas estou em busca da Abundância Financeira, e não somente da IF, então a minha intenção é ter o dobro da valor que preciso para a IF. É uma meta bem audaciosa, mas possível de alcançar por causa dos aportes altos. Como você, há alguns meses, consegui alcançar os 50-60% de aportes mensais de toda a renda familiar (meu e do marido).

        Curtido por 2 pessoas

      2. Uau! Parabéns pelo progresso!

        Eu também acho que o modelo LeanFIRE é meio arriscado pra quem não tem uma mentalidade minimalista e está disposto a manter o mesmo padrão de vida pelo resto da vida só ajustado com a inflação.

        60% de aportes combinados parece ser o esquema mesmo! Eu vou ver se consigo atingir isso como meu próximo objetivo!

        Abraços!

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