Você consegue enriquecer só com investimentos?

A procura de muitos assim que aprendem sobre a educação financeira é investir. É o passo natural de quase todo mundo já que, de acordo com o triângulo do acúmulo patrimonial, é o único pilar desconhecido depois da renda e da economia. Unido a este espírito estão as notícias e posts sensacionalistas indicando como alguns fulanos de tais conseguiram “ganhar milhões na bolsa.” Embora as boas intenções, infelizmente a perseguição por investimentos e performance começa, atrapalhando o caminho até a independência financeira – e algumas vezes traumatizando o indivíduo que “perdeu tudo.”

A minha opinião é que enriquecer somente com os investimentos – especialmente no início – é altamente arriscado e ineficiente.

Isso é porque nem sempre o investimento é a melhor escolha. Dependendo da sua situação, é melhor direcionar o foco em outros processos que lhe poderão te providenciar um retorno melhor. Um exemplo disso que indiquei no meu post anterior é a quitação das dívidas; é melhor concentrar esforços para quitar todas as dívidas que você possui antes de começar a investir. Neste post explico sobre outros exemplos para você planeje melhor o seu caminho até a IF.

Recapitulando: o triângulo de acúmulo patrimonial

No meu último post, falei sobre o triângulo de acúmulo patrimonial, e como atingir a IF é um esforço multipartidário, e requer três pilares: renda, economia e investimento. Não é possível conseguir atingir a independência financeira faltando um destes pilares, tornando-os igualmente importantes no processo.

triângulo de acumulação patrimonial

O triângulo, porém, também em paralelo descreve onde o esforço do investidor deve estar focado dependendo da fase onde ele se encontra. Claro que cada caso é um caso e a situação inicial de cada um varia – alguns começam numa situação financeira mais avançada do que outros. Para este post, estou assumindo que o começo é com aporte zerado ou com dívidas, como se estivesse jogando sem nenhum macete.

Vejamos isso a seguir:

Iniciando a jornada: aumente sua renda salarial

No início, todos nós ficamos afoitos com a idéia de ganhar dinheiro com investimentos. Porém, no início da jornada, com aporte zerado, os ganhos de investimento são muito pequenos e lentos. Começar a procurar gastos para cortar pode ser interessante, mas se você ganha migalhas, só poderá salvar migalhas independente do esforço.

Vale muito mais a pena procurar aumentar a renda obtida ativamente através do trabalho ou do negócio próprio. Especialmente se você não tem uma renda total superior a R$3000, ou não consegue aportar pelo menos uns R$1000 mensais, é recomendado que seu primeiro investimento seja feito na sua renda.

Isso não necessariamente significa solicitar um aumento ao chefe, ou voltar pra escola pra uma pós-graduação; você pode aumentar a sua renda trabalhando por fora do seu expediente principal, da forma de “bicos,” renda online, e-commerce, etc. Nesse quesito, o único impecílio muitas vezes nada mais é do que o seu próprio ego (“eu não estudei para ser bartender!”) Na minha opinião, porém, o dinheiro não te julga, e você não deve julgá-lo: o esforço é bem-vindo para suplementar a renda. Pense desta forma: você estará diversificando a sua renda e diminuindo o risco de desemprego!

Outra forma é procurar um emprego com um salário melhor. Claro que isso é mais fácil falar do que fazer, mas muitas vezes contamos com uma promessa de promoção que nunca chega, ou uma empresa onde o crescimento já está estagnado. Verifique as opções e condições para ver se vale a pena trocar de navio!

No meio da jornada: aumente as suas economias

Os otimistas e empreendedores irão dizer que não há limites para a sua renda se você sempre buscar mais. Porém, existe um “teto” prático na vida real acima do qual sua renda não irá aumentar significantemente sem um grande investimento em educação ou experiência profissional. A partir deste nível, entra em ação o segundo pilar: as economias.

Controlar os gastos geralmente são mais fáceis que a renda, mas muitos se esquecem deste detalhe quando a renda aumenta: eles querem aumentar o estilo de vida proporcionalmente aos aumentos recebidos. Não caia nesta cilada; não infle os seus custos artificialmente! Seus aportes irão diminuir ao invés de aumentar!

As estratégias a serem seguidas aqui são várias, mas surgem da sua criatividade e tendências minimalistas. Se você gasta com alguma coisa duas vezes por mês, pode sobreviver com apenas uma vez? Enxerga alguma coisa que pode ter uma alternativa mais barata? Consegue vender algum passivo que esteja drenando dinheiro de você sem necessidade?

Um exemplo meu era um carro que eu mantia na garagem “caso se precisasse” e nunca sentia a necessidade de utilizá-lo. Inclusive ele me custava mais do que o normal por causa de manutenções e uma bateria arriada que precisava acionar o seguro de vez em quando. Finalmente, teve um dia que fiz as contas e descobri que pela quantidade de vezes que eu o utilizava, poderia muito bem usar um táxi (nem Uber!) e ainda sairia no lucro. Case in point: carro vendido.

Por fim: invista melhor e mais agressivamente

Com a renda estabelecida num patamar alto e os gastos controlados, você se torna livre para explorar a última perna do triângulo: os investimentos. Neste ponto você deve seguir os passos do guia de como começar a investir e criar uma reserva de emergência para se resguardar contra imprevistos.

E assim, siga com a sua rotina aportando e investindo com o controle mensal.

Apêndice: renda te deixa rico, investimentos te mantêm rico

Finalmente, segue um ditado: renda te deixa rico, investimentos te mantêm rico.

É igualmente difícil manter-se rico quanto tornar-se rico, só perguntar pra esse bando de ex-Big Brothers falidos ou atletas aposentados, mas as duas fases requerem estratégias diferentes.

Então não caia na enganação: utilize cada uma das ferramentas que você tem (renda, economia, investimento) na fase certa e siga seguro em frente.

E vocês, quais são suas estratégias utilizadas em diferentes fases da acumulação patrimonial?

Abraços!

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12 comentários sobre “Você consegue enriquecer só com investimentos?

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