Resenha do Pinguim #4 – Lições do Robert Kiyosaki

Se você já se interessou por educação financeira na vida, há grande chance que você recebeu os livros do autor havaiano Robert Kiyosaki como recomendação, especialmente o seu bestseller Pai rico, Pai pobre. Para muitos, eles são como uma bíblia da educação financeira, com muitos empreendedores e investidores se referindo a este livro especificamente como o ponto de mudança de suas vidas.

Quando eu li o Pai Rico, Pai Pobre (PRPP) pela primeira vez, eu não possuía muito conhecimento financeiro, e assim muitos dos conceitos deste livro me pareceram controversos, até polêmicos. E não é à toa; em vários lugares você pode achar resenhas e opiniões sobre o Kiyosaki chamando-o de charlatão, mau-caráter, hipócrita (a empresa dele que promove o livro foi a falência), etc. Inclusive, há os argumentos que o “Pai Rico” em si nunca de fato existiu.

Uns 5 ou 7 livros de finanças depois, me deparei com a continuação desse livro, Rich Dad’s guide to Investing. A leitura deste livro, e o meu correspondente amadurecimento financeiro, mudou completamente o meu entendimento do primeiro, e tudo que Kiyosaki fala começou a fazer mais sentido. Vi que haviam conceitos desafiadores, intrigantes, mas que, dado um olhar crítico, faziam sentido para alcançar o sucesso financeiro.

Esta resenha irá cobrir os conceitos comuns aos dois livros combinados.

Lição #1 – Os pobres trabalham por dinheiro; os ricos fazem o dinheiro trabalhar por eles

A lição clássica do Kiyosaki que todo mundo da finansfera ecoa é: os pobres trabalham por dinheiro; os ricos fazem o dinheiro trabalhar por eles.

Se você andou lendo meus posts anteriores, já deve entender bem o que isto significa: os ricos transformam o seu dinheiro de sobra em capital produtivo, e utilizam o capital para gerar renda e ganhos financeiros. Inclusive, este é o conceito #7 do Jeito Pinguim de investir.

Mas esta é apenas uma parte da mensagem do Kiyosaki: a outra se refere ao fato que os ricos sabem que vale mais a experiência ganha através do trabalho do que o salário recebido. De fato, Kiyosaki vai mais a fundo e afirma: se você quiser se libertar da escravidão do salário, precisa aprender a trabalhar de graça.

Quando ouvi este conselho pela primeira vez pensei: que absurdo! Como alguém conseguiria aceitar a completa desvalorização do seu tempo já que, como vimos em outra resenha, o dinheiro nada mais é do que a manifestação do tempo de vida gasto do trabalhador. Foi apenas com a leitura do segundo livro que realmente aprendi o significado: o conhecimento de como uma empresa funciona é um bem ativo que ninguém poderá te tirar.

É através desta experiência, que você poderá eventualmente operar um negócio próprio e trocar o paradigma do tempo = dinheiro por uma de dinheiro = valor x audiência.

Lição #2 – Os ricos compram ativos, os pobres compram passivos

Outra lição bastante difundida pela finansfera é que os Ricos usam o seu dinheiro para comprar ativos – que ganham valor, ou produzem mais dinheiro para eles – enquanto os pobres usam o dinheiro para comprar passivos – itens que perdem valor com o tempo.

Isso pode parecer óbvio, mas a longo prazo fará completamente a diferença entre aqueles que ficam ricos e aqueles que permanecem ricos. Um caso extremo que vem em mente é o do ator Nicolas Cage, que, apesar dos seus múltiplos contratos milionários ao longo de sua carreira, conseguiu torrar cerca de US$150 milhões através da aquisição serial de passivo atrás de passivo, alguns inclusive muito bizarros.

Os ricos compram ativos, os pobres compram passivos, Nicolas Cage compra… cabeças encolhidas??

Porém, você não precisa procurar muito para encontrar um “mini” Nicolas Cage no seu âmbito social; basta ver aquele colega de trabalho que vive atualizando o guarda-roupa a cada 4 meses, compra o carro do ano todo ano e ostenta nas redes sociais por achar que “gerente-geral do departamento XYZ na empresa ABC” vai ser perpétuo.

A lição a ser tirada aqui é: você já trabalha duro o suficiente para tirar o seu dinheiro; não o disperdice adquirindo coisas que vão perder valor que você tanto sofreu pra conquistar.

Lição #3 – Mind your own business

Várias outras fóruns de auto-ajuda recomendam que você pare de se preocupar com as opiniões dos outros para viver uma vida melhor. Não poderia ser diferente no mundo financeiro. Segundo Kiyosaki, os ricos ficam ricos porque they mind their own business.

Muitos que iniciam suas carreiras se perdem neste aspecto, e começam a ostentar até o que não têm ou o que não são. Postam conteúdo de fachada a respeito dos seus negócios dizendo vejam como o meu restaurante é foda, vejam como a minha loja está bombando, mas internamente escondem um grande caos. Não é incomum vê-los fecharem alguns meses depois. Segundo Kiyosaki, estes empreendedores poderiam ter vencido se apenas começassem a focar nos seus negócios ao invés de tentar apaziguar opiniões externas que em nada influenciam o negócio.

Igualmente, a lição permanece para os investidores: ao enfrentar comentários de conhecidos a respeito das suas escolhas financeiras, o melhor a se fazer é ignorar o barulho e focar no plano. Trace o mapa, crie a estratégia e foque no caminho!

Lição #4 – Os ricos criam o seu próprio dinheiro

Esta foi uma das mensagens controvérsias do primeiro livro que não fez sentido até ter lido o segundo. Kiyosaki afirma que ao passo que a classe média gasta dinheiro para comprar ativos, os ricos criam os seus próprios ativos.

Este processo pode ser traduzido de várias maneiras: abrindo o seu próprio negócio, fabricando coisas para vender, etc. Mas Kiyosaki usa um exemplo brilhante para explicar: os Beatles. Quando os Beatles estouraram na Inglaterra, eles não eram empreendedores, inventores nem mesmo influenciadores. Então como conseguiram tanto dinheiro? A resposta: eles criaram os seus próprios ativos (as músicas) e os vendeream.

Kiyosaki simplifica a explicação no que ele chama de “pergunta de um milhão de dólares:” como você obtém um ativo sem gastar dinheiro? Ao criar um ativo, você pode muito bem estar criando o seu próprio um milhão de dólares.

Bônus – Transforme renda ativa em renda passiva

Segundo Kiyosaki, o Pai Rico lhe ensinou que “o objetivo do investidor sofisticado é converter renda ativa em renda passiva ou de portfólio o mais rápido possível.”

Esta lição é crucial para qualquer pessoa que almeja a independência financeira, investidora ou não. Como descrevi em outros posts anteriores, renda passiva é crucial para conseguir a independência financeira e, para mim, a melhor forma de obtê-la é através de um portfólio de investimentos bem planejado.

Kiyosaki deixa um leque de opções neste caso, não citando especificamente uma ou outra solução no livro, e também indica que há vários níveis que um investidor pode atingir. Nesta parte controversa, ele afirma que o ultimate investor é aquele que consegue abrir sua empresa e lançá-la ao público num IPO. Os investidores que conseguirem realizar este passo, ele diz, conseguiram literalmente criar o seu próprio dinheiro através da venda de suas cotas.


E então? Vocês já leram os livros do Kiyosaki? Qual é a lição que vocês tiram dos livros?

Abraços!

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9 comentários sobre “Resenha do Pinguim #4 – Lições do Robert Kiyosaki

    1. Fala Marcelo,

      Verdade, a estratégia dele pro mercado imobiliário é bem estranha pra realidade do Brasil. Ele fala outras abobrinhas de investimento também no primeiro livro como “não diversifique” (put all your eggs in one basket, but watch well that basket) que me levaram a vários momentos WTF quando o lia.

      Mas mesmo assim acho que vale a pena pela parte teórica e motivacional. Não como primeiro livro, talvez, mas como um da série da leitura do iniciante FIRE

      Curtido por 1 pessoa

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